novembro 26, 2008

há certas horas..


andava eu pelo cyberespaço.. saltando de página em página.. viajando de link em link.. e encontrei este poema de william shakespear.. estas frases encantadas apenas traduzem por palavras o que todos os calcantes já sentiram um dia.. aqui o partilho ao cuidado da reflexão de todos...


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente,
a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...

Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!

novembro 10, 2008

carinhoso..


sobre o amor escreveu-se um dia.. O amor perpetua-se. Mesmo que, fisicamente, ou racionalmente, as pessoas que amamos já não estejam por perto. O amor tem esse dom, mesmo quando mergulhamos na mais profunda tristeza de sentirmos a falta de alguém [Ficcino].. eu diria que, embora as pessoas que amamos possam partir, na realidade elas ficam sempre por perto.. são as nossas doces recordações..

estas palavras foram escritas num outro contexto e o autor sabe disse.. mas o que é o amor, senão um sentimento multifacetado e que floresce em vários contextos.. porém, será sempre amor se o coração nos disser que amamos.. por isso, também estas palavras se adaptam ao contexto do amor que acontece no tempo presente.. um contexto do amor partilhado e unido na distância que o separa..

aos olhos do meu contexto, o amor do futuro ou o futuro do amor não será fácil.. os anos deixam-nos acomodados e o amor desassossega esse acomodar.. será precisa aquela coragem de querer começar de novo.. aquela vontade de querer correr novamente no parque.. aquela loucura do deitar-se tarde quando se tem uma reunião com o chefe logo pela manhã.. não será fácil.. mas poderá ser feliz..

estas palavras são apenas um mote para que outros calcantes reflictam nas belas palavras do seu autor.. mas olhadas sob o prisma da vida de cada par de calcantes.. e para acompanhar esse exercício, nada melhor doque uma musica.. aqui deixo esta sugestão.. uma música interpretada pela Marisa Monte, acompanhada á viola pelo Paulinho da Viola e de autoria do Pixinguinha e Braguinha.. carinhoso



outubro 26, 2008

bruxelas, antuérpia e bruges

Estivemos há pouco tempo em Bruxelas, a capital belga, a capital europeia.. visitamos as suas ruas, vimos os seus monumentos e a sua bela e grandiosa Grand Place.. deliciamos os olhos nas vitrinas de chocolate de todas as formas e feitios e que se acumulam em todas as suas ruas.. bebemos cerveja belga num dos seus bares famosos, o Mort Subit.. famoso por ter sido frequentado por Jaques Brell.. e dormimos num belo hotel da belle epoque e deixamo-nos viver uma história encantada só permitida a príncipes e princesas..







Por campos verdejantes a linha de comboio atravessou povoados e levou-nos de Bruxelas a Antuérpia, a capital dos diamantes.. nesta cidade a concentração de joalharias é maior do que o número de chocolaterias e nas suas montras reluz o brilho dos diamantes nas jóias expostas.. da estação central atravessamos a cidade até chegarmos ao seu porto de comercio no mar do norte, o porto de Antuérpia.. foi uma visita relâmpago, mas suficiente para apreciarmos o seu ambiente e apreciar um belo e verdadeiro choco waffel..

Foi de novo por campos verdejantes que o comboio nos levou de Bruxelas a Bruges.. uma cidade romântica, uma cidade atravessada por uma rede de canais e pontes.. uma "Veneza" do norte da europa.. uma cidade de belos monumentos e ruas encantadas, onde os sonhos podem ter ser vividos.. aqui, as chocolaterias voltam a povoar as ruas da cidade e os restaurantes servem um petisco - moules au vin blanc - que se quer acompanhado por alguma das boas cervejas belgas..







Bruges não é só conhecida pela sua densidade de canais e as atmosferas românticas dos cantos e recantos da cidade.. Bruges é também conhecida pelas suas belas rendas, concebidas de modo semelhante ao das rendas de bilros portuguesas, mas neste caso, as belas rendas que recebem o nome da sua cidade, são elaborados por rendeiras de mãos delicadas.. mas que falam o flamengo, a lingua que une os belgas.. embora uma parte fale também o francês.. e uma outra o alemão.. contudo é de toda a conveniencia não errar a escolha da lingua, o alemão ou o françês, assim, by yes by no o melhor será usar o inglês..

Foi uma viajem curta mas repleta de momentos.. daqueles que ficam gravados na memória e tatuados na pele.. daqueles que não se podem e não querem esquecer e guardamos no pote.. daqueles que se querem multiplicar porque sentimos verdadeiramente que "somos nós e o mundo"..

[ FOTOS: Bruxelas e Bruges.. ]

outubro 12, 2008

hoje..

uma despedida pode não ser fácil.. porém, algumas podem fazer doer a alma e sangrar o coração, tal como hoje.. o aperto no peito era demasiado grande e as palavras estavam presas na garganta.. não consegui ficar naquele aeroporto e fugi.. corri dali para fora..

agora.. agarro-me aos momentos felizes que guardo e lembro as músicas cantaroladas..

setembro 30, 2008

tempos difíceis..

tempos difíceis aqueles que estamos vivendo.. é impossível não o sentir ou perceber, ainda que não se queira prestar atenção.. mas a televisão, os jornais e a conversa do dia a dia estão constantemente a dar-nos pormenores destes tempos difíceis..

e.. embora por vezes isso me faça sentir mais triste, não sei porquê, não me consigo alarmar.. e deveria.. mas tal não é irresponsabilidade.. não é por não sentir que os tempos estão difíceis.. porque o sinto e é sério.. mas julgo que o segredo está em me sentir amparada na alma e no coração e nesse amparo encontro conforto.. encontro forças para cada novo dia.. encontro vontade de sorrir.. e.. isso mostra-se.. vê-se no brilho do olhar..

setembro 09, 2008

é assim.. é confuso.. é uma curva sinusóidal..

dei-me e deram-me conta de que à muito tempo não escrevia uma linha que fosse neste quadro.. não se pense que não me lembrei.. não se pense que não quis.. apenas não consegui estabilizar a sucessão de emoções imposta pelo acaso do destino que nos surpreende em cada minuto e nos faz rir ou verter uma lágrima sem planeado.. são os bons momentos intercalados com momentos menos bons a desenhar a linha da vida como se de uma curva sinusóidal se tratasse..

momentos menos bons de quem nos é querido e aos quais não ficamos indiferentes.. momentos bons passados com os amigos.. momentos bons vividos nas idas às praias e o deliciar-me com o sol maravilhoso do verão.. momentos menos bons quando o fim do verão se faz anunciar sob a forma de uma praia despovoada de gente e desprovida do barulho das crianças ou do apregoar constante das bolas de berlim.. da água.. do gelado.. até os vendedores ambulantes de trabalhos artesanais com origem no continente africano mudaram os seus pregões, promovendo também eles a época de saldos - compre um e leve dois!.. e finalmente, os ventos frescos de um fim de verão que está para breve fizeram também a sua dança de apresentação..

depois?.. depois foram os momentos bons de um novo ano escolar que se inicia e se perspectiva trabalhoso, mas logo este bom momento dá lugar ao momento menos bom em que se é atingido por "um chega para lá" e se vê ignorado todo um trabalho esforçado e dedicado de alguns anos.. e zás.. de repente o dia se fez noite.. e quando tudo parece estar escuro, eis que surge um momento bom.. uma noticia mágica que nos alegra a alma e nos deixa um sorriso rasgado no rosto..

é assim.. é confuso.. é extraordinário.. a vida é uma sucessão de acontecimentos que nos fazem sorrir e chorar, chorar e sorrir.. é confuso, mas é assim.. e é esta imprevisibilidade que nos confere um gosto e vontade de conhecer a vida que se nos apresenta a cada minuto e nos enche de vontade em correr atrás dos sonhos e das vontades com que a própria vida nos surpreende.. sempre no encalço do que julgamos nos vai fazer felizes..


[ FOTOS: Praia D.Camilo em Lagos no Algarve. Casinha em Vila Nova de Mil Fontes na Costa Vicentina.. ]

julho 24, 2008

na praia..

à dois ou três dias, numa ida à praia, tive a oportunidade de vivenciar uma cena que me enterneceu o coração.. do meu lugar na praia, havia reparado num casal, talvez octogenário.. ela sentada na única cadeira e ele sentado numa toalha disposta sobre a areia.. abrigados debaixo do guarda-sol descansando o corpo já cansado e sentindo o pulsar da praia.. o riso das crianças brincando.. as caminhadas dos banhistas à beira mar.. as famílias que se acomodam debaixo do guarda-sol..

eram cuidados e carinhosos os modos daquele homem para com a sua companheira, visíveis no momento de comer a pequena merenda que haviam levado.. descascando a peça de fruta e dando-lhe os pedaços já limpos.. chegando o copo de água.. era pois notório, que o passar dos anos havia tornado aquela velhinha mais debilitada que o seu dedicado companheiro.. ela deveria ter passado uma vida como senhora dona de casa cuidando do seu marido.. eram assim as mentalidades.. mas agora tinha chegado a altura daquele homem cuidar da sua querida esposa e era notório o carinho que adornava cada gesto daquele homem, como que reflectido o amor que teriam vivido ao longo dos anos..

distrai-me então na leitura do meu livro, mas a necessidade levou-me a ir buscar uma água.. no trajecto acidentado deparo-me com o casal octogenário num passo lento e amparado, tentando transpor os obstáculos do caminho.. num dado ponto.. era necessário subir uma rocha com altura de meia canela.. um obstáculo demasiado exigente para aquela senhora.. mas o caminho estava estudado.. ela teria de conseguir subir um pé.. apoiar-se na bengala o melhor que podia e ele deveria puxá-la.. deitei a mão e ajudei até chegarem a terreno regular.. depois e com um gesto de alguma destreza, aquele velhinho apoiou no ombro o guarda-sol que levantou do chão e que cuidadosamente enrolado servia de suporte à cadeira dobrada e à pequena sacola da merenda..

fiquei a olhá-los.. passos trémulos e lentos.. aquele casal com todas as suas dificuldades deveria ter tido uma vida companheira e feliz.. e agora na velhice, apesar das dificuldades, continuavam a ter-se um ao outro.. continuavam a ser felizes.. tenho a certeza que aquele velhinho, enquanto tiver forças e o sol brilhar, vai levar até á praia com todo o cuidado, a sua companheira de toda uma vida .. não pude deixar de pensar..

julho 16, 2008

um refúgio.. uma pérola do atlântico..


finalmente tinha chegado o dia em que deveria entrar num avião e rumar 1000 km a sudoeste.. parti e aterrei na belíssima ilha da madeira.. um refúgio.. um aconchego do coração e da alma.. lá estava eu, mais uma vez, nesta pérola do atlântico e mais uma vez visitei locais, provei sabores, senti os cheiros, observei vivências e imaginei-me também ilhéu..

revisitei locais do coração.. recordações antigas misturam-se com vivências de agora, interligaram-se e criaram um espaço forrado com quadros de momentos felizes pendurados em paredes invisíveis.. foi assim que me vi naquela ilha.. segura e feliz.. sentido o sol que ilumina a vida.. indo a banhos nas águas do mar onde os
sonhos balouçam ao ritmo da ondulação.. fazendo passar os meus calcantes pelas veredas delineadas pelas levadas e calcorreadas na companhia de quem conhece e partilha o trilho rumo ao tempo seguinte..

veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas do imaginário para mundos de duendes e fadas, príncipes e princesas, mundos distantes ou de outra dimensão.. veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas para os sonhos, onde nos é permitido assumir o personagem de uma história sonhada e que se quer feliz.. é impossível não sentir e respirar a ilha desta forma..








muitos outros cantos e recantos de encantar existem naquela ilha onde sonhar é possível.. são as falésias que descem até ao mar.. são as montanhas envoltas em pequenas nuvens que lhe confere um ambiente místico e de onde irradia energia positiva.. são as vilas, aldeias e cidades resplandecentes de vida.. são locais aprazíveis e apelativos ao descanso, à conversa, à leitura de um bom livro.. é a afabilidade das suas gentes, os sabores das suas comidas, os cheiros das suas plantas.. enfim.. tudo.. é um sentir e absorver de toda a ilha com intensidade e força dos nossos sentidos..







porém alguns locais são especiais.. uma casinha perto de uma vereda numa vila sossegada sobranceira ao mar.. uma vila de pescadores, onde a partir de uma rampa se pode entrar no mar.. uma cidade onde o acaso fez a vida acontecer.. cenários de histórias de outros tempos são também cenários de histórias de agora, onde personagens criam e recriam momentos guardados como doces memórias.. e que são também de saudade e felicidade.. "não vou negar", como diz a canção de maria bethania.. ouvida vezes sem conta..

[ FOTOS: Ilha de Madeira.. ]

junho 17, 2008

momentos..

hoje dei por mim a sonhar acordada e a aquecer-me nas minhas recordações que são como raios de sol que me abraçam e me acarinham.. o ambiente ajudou a montar este cenário de aparente transcendência.. é um carro que se conduz a caminho de casa.. uma música calma e relaxante que toca na rádio.. uma sequência de ruas que se percorrem e descrevem um caminho familiar, que nos leva de regresso ao aconchego e protecção do lar..

assim seguia absorvida no meu pensamento que saltitava cantante e alegre por uma sequência de momentos impossíveis de esquecer.. lá ia.. virando o volante à esquerda e à direita.. trocando os pés nos pedais.. semáforo após semáforo.. cruzamento após cruzamento.. lá seguia completamente alheada da realidade de conduzir e completamente absorvida nos meus pensamentos.. de tal forma que era capaz de sentir na pele a intensidade dos momentos vividos e agora recordados.. num estado de doce saudade, exibia um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos que nos denuncia..

acordei à porta de casa.. quando a porta se abriu e senti uma nuvem negra a escurecer o meu recordar.. a casa estava vazia.. o meu brilho não podia ser revelado.. porque ninguém.. simplesmente ninguém me espera.. e senti-me triste.. simplesmente perdida nesta vida onde teimosamente me tento encontrar..

junho 06, 2008

amigos..

hoje recebi um e-mail com este texto de fernando pessoa.. já havia lido a frase final num blog querido.. não resisti.. tinha de o partilhar com outros calcantes que por aqui passem.. é impossível não olhar para trás e lembrar os bons momentos vividos..

é impossível não lembrar os tempos de estudante de coimbra.. talvez os mais marcantes pela cumplicidade e intensidade com que foram vividos.. pelas marcas que deixaram para o futuro.. depois.. as condicionantes da vida fizeram-nos partir em várias direcções.. seguimos caminhos diferentes.. vontades diferentes.. porém com a teimosia suficiente de não deixar cair a ponta da fita da amizade que cada um de nós segura na mão.. a outra ponta está amarrada na velha cabra.. a torre da universidade de coimbra..

mas nem só de coimbra se fizeram as amizades.. tantos outros lugares e momentos.. tantos outros amigos.. alguns já não sabemos até onde a vida os levou.. mas é certo que não perdemos a sua memória e lembramos com saudade.. por vezes até choramos quando olhamos as suas fotografias.. e pensamos como seria bom poder saber deles.. se estão bem.. se são felizes.. dizer que estamos aqui.. incondicionalmente.. talvez.. um dia isso possa ainda acontecer..

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos,
dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas,
da angústia,
das vésperas dos finais de semana,
dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um de nós vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum desentendimento,
segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar,
quem sabe.. nas cartas que trocaremos.
Podemos falar pelo telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos..
até esse contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamos-nos perdendo no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos.. que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos,
foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar,
ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto..
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo
e, entre lágrimas abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes,
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida,
isolada do passado e perder-nos-e-mos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida passe em branco,
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigo!

maio 11, 2008

eu sei que vou te amar

aqui deixo ficar a letra de uma música.. um poema de Caetano Veloso.. recordo também um cantarolar numa certa manhã de domingo..

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar..

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

abril 22, 2008

o ar da serra..

por estes dias de chuva, em que o sol enfeitiçou as nuvens com os seus longos raios de sol e o arco-íris alegrou os céus com as suas cores.. os sonhos viajaram.. fizeram do azul dos céus uma máquina do tempo e foram uma realidade.. conduziram os seus passos até à serra que vestiu o mais belo traje para os receber..

passos que se guiaram por histórias de príncipes e princesas de tempos antigos e calcorrearam caminhos entre burgos e castelos altaneiros.. escreveram memórias.. deleitaram-se com paisagens de extensas planícies verdejantes de primavera.. ondulada por uma ou outra colina com a sua aldeia, o seu castelo, as suas gentes, as suas histórias e lendas de encantar.. assim é o marvão.. castelo de vide.. monsanto..

esses mesmos passos que não esqueceram caminhos bem conhecidos de outrora e recordaram momentos vividos.. agora renascidos no olhar encantado que doce e carinhoso beijou ao de leve as pedras do casario, daquela que é cenário de belas memórias.. a covilhã..

a serra foi destino daqueles passos.. cenário encantado das memórias de um conto de fadas.. esperava-os com o seu belo manto de um branco alvo, tocado ao de leve pelo vento gelado que alcoviteiro segredou o que deveria calar.. as árvores, as pedras e os animais viram e ouviram segredos que se haveriam de aquecer e enredar no crepitar das chamas de uma lareira.. lá para os lados da casa grande..

uma casa, uma lareira e o ondular das chamas da madeira que arde.. uma lareira capaz de enfeitiçar quem nela procure aconchego e descanse o olhar.. quem por ela deixe fluir os seus pensamentos inebriados pelo cheiro doce da lenha queimada, para que sejam embalados pela mais bela melodia do estalar da madeira ardida.. quem lhe confesse os seus segredos mais secretos e a deixe testemunhar o amor que acontece..

um amor singelo.. capaz de parar o tempo e que no seu longo abraço se fez eterno numa noite de luar, que chorando de emoção deixou as suas lágrimas soltas no sopro suave do ar da serra..








[ FOTOS: Serra da Estrela.. ]

abril 05, 2008

trilho..

pelo trilho.. um caminho estreito, apontando a direcção de um destino desconhecido que creio ser belo.. desse lugar mágico, apenas o caminho esguio por entre as árvores.. do mapa, apenas a beleza calma de uma paisagem presa num momento.. e guardada no baú da memória..

a testemunhar esse caminho.. apenas as árvores.. pesadas no seu aspecto e leves como a vida que nelas abunda.. na vida que num bater de asas brinda os céus e se faz ouvir com mensagens de esperança.. na vida que corre ligeira ou que indelével toca o chão bebericando nas gotas de água que encontra, acariciando cada pedra e cada centimetro de terra, cada réstia separada da vida e que espera o renascer.. e também, na minha vida que observam..

uma vida que por entre passos nervosos e inseguros se aventura num trilho, rumo a um lugar desconhecido mas sonhado como sendo belo.. observando e encantando-se com a beleza e pureza das flores que ladeiam o caminho.. colhendo frutos doces e mágicos, de plantas germinadas e fecundas que exalam cheiros nem sempre cheirados.. mas que inebriam e tranquilizam os meus passos.. cheiros embalados pela levesa da brisa que galanteamente me sussura ao ouvido.. segue.. segue, sorrindo e tranquila.. caminha com a doçura no coração e segue sem medos.. sem receios.. esses há muito que ficaram para trás..

[ FOTO: Trilho de passeio pedestre na ragião de Mafra ]

março 26, 2008

um amor assim.. .

"prefiro ter podido.. sentir o cheiro do cabelo dela.. um beijo da boca dela.. um toque da mão dela.. do que uma eternidade sem ela.. um só.."

[ in filme city of angels ]

março 16, 2008

coimbra..

coimbra tem mais encanto na hora da despedida.. mas também na hora da chegada, da permanência e do regresso esporádico.. tem mais encanto em cada recordação guardada e relembrada, vezes e vezes sem conta.. relembradas nas pessoas que se reencontram, nas pedras do casario ou nas ruelas revisitadas e outrora calcorreadas, vezes e vezes sem conta, num vai e vem de cada estudante a caminho de casa, da universidade ou de mais uma doce e boémia vivência..

vivências de uma coimbra do passado que se entrelaçam com as vivências do presente e do futuro, tecem assim uma manta de retalhos e de cores coloridas, capaz de aquecer a alma e reconfortar as saudades sentidas em cada regresso.. para um jantar.. para um passeio.. para o escutar de um fado.. para o estar.. simplesmente estar.. saudades de coimbra que também são sentidas e partilhadas por quem nunca nela viveu..

[ FOTO: Coimbra ]

março 08, 2008

condição ser mulher...

oito de março de qualquer ano, o dia internacional da mulher.. não gosto deste destaque, mas entendo a necessidade da sua existência.. não gosto porque de alguma forma destaca a condição feminina da condição masculina, uma vez que não existe o dia internacional do homem.. logo não há aqui a igualdade que as mulheres tanto reclamam como justa.. porém compreendo o porquê.. é preciso e constantemente, lembrar ao mundo a condição de ser mulher.. as lutas travadas para a igualdade de direitos entre homens e mulheres.. lutas levadas a cabo no passado.. lutas travadas no presente.. lutas que não queremos no futuro..

todos os dias, na vida quotidiana, há mulheres que tem de provar que são merecedoras dos direitos já conseguidos.. os mesmos direitos que qualquer homem possui à nascença, pelo simples facto de nascer homem.. todos os dias, há mulheres que fingem que os maus tratos de que são alvo por parte dos seus companheiros são meras quedas na escada.. todos os dias, há mulheres em outras culturas, que são dadas em casamentos combinados pelos homens seus pais e subjugadas a uma vida que não escolheram para si.. todos os dias, há mulheres que são alvo das redes de tráfego de mulheres que as conduzem à vida de escravas sexuais.. todos os dias ocorre alguma violação contra a igualdade de direitos entre homens e mulheres.. contra a condição ser mulher..

por isso e muito mais que sabemos existir e ser assim, aceito ser razoável a existência de um dia internacional da mulher, não para regozijo dos sexos, mas para que se lembre que ainda existem mulheres a quem nao são reconhecidos direitos.. mulheres não respeitadas pela sua condição.. a de ser mulher..

[ FOTO: Ponta Delgada, S. Miguel, Açores - Canteiro junto às portas da cidade ]

fevereiro 26, 2008

aquele dia..

um pôr do sol.. cores impossíveis de fixar numa imagem.. apenas as fotografias tiradas com os olhos são capazes de retratar na alma e no coração aqueles momentos.. aquelas cores.. a companhia de quem acompanha os nossos passos.. o esvoaçar das gaivotas.. as pedras do caminho.. as ondas do mar.. os grãos de areia da praia.. os barcos no porto.. as casas da vila..

aquele pôr do sol.. testemunha das palavras caladas no coração e cravadas a ferro e fogo no meu sentir.. estampadas num sorriso.. aquelas mesmas palavras que mudas foram gritadas numa dança mágica e sentidas na saudade de um beijo e de um abraço.. momentos e palavras "indizíveis", ambos embalados na musicalidade suave de uma canção, desenharam no ar cornocópias com as cores do arco-iris.. cornocópias que esvoaçam no espaço e no tempo levando consigo o libertar dos sentidos.. e a saudade..

[ FOTO: Vila da Ericeira ]

fevereiro 17, 2008

estados..

gaivotas em terra tempestade no mar.. hoje deve ter sido assim, já que da minha janela vi o voo das gaivotas.. vi também o tempo fechado na direcção do mar e ouvi a chuva a bater na janela.. hoje foi um dia triste de inverno.. e a tempestade?.. essa foi certamente no mar, já o senhor da meteorologia havia informado ontem.. o mesmo dia de ontem, em que o sol sorriu e se ouvia pela rua fora o alegre cantar dos pardais, poisados no parapeito da minha janela.. assim muda o estado do tempo, num espaço de tempo que medeia entre a noite e o dia..

mas que tal mudar da natureza não cause espanto.. também nós fazemos parte dela e também nós mudamos o nosso estado de espírito.. um dia alegres e cantantes, capazes de inventar a vida.. para, no outro dia imediatamente a seguir, deixarmos escapar as lágrimas por entre as fissuras abertas nas paredes das represas que constituem os nossos olhos.. abertas com o estilhaçar da nossa alma provocado pela força incontrolável da tristeza que atinge o coração.. assim é a vida.. capaz de nos fazer atravessar uma panóplia de sentimentos..

fevereiro 14, 2008

votos de amor..

o calendário assinala hoje um daqueles dias especiais.. um dia em que celebramos o amor.. um dia em que nos lembramos da importância de amar e sermos amados por um certo alguém.. se bem que, esse feito não deveria ter data e hora marcados.. muito antes pelo contrário..

mas, vou deixar ao cuidado deste blog uma imagem da vida real que quis o acaso eu presenciasse.. uma renovação de votos de amor.. um momento fugaz de uma rara simplicidade e cumplicidade, transbordante em sentimentos nobres cultivados na longevidade de seis décadas de uma vida em comum..

foi numa linda tarde de julho.. na janela de uma casa em traça antiga situada nas margens do rio douro, uma doce velhinha sorria.. olhava na direcção de um velhinho com quem tinha partilhado a sua juventude, a sua maturidade e partilhava agora a sua velhice.. olhava-o com ternura e com o amor de outrora, mas actual.. um arco-íris de amor.. o mesmo arco-íris que haviam pintado com o amor da juventude.. tal como nos tempos de antigamente e em troca daquele olhar da janela, aquele velhinho, seu companheiro de horas felizes e menos felizes de toda uma vida, atirou-lhe um beijo enamorado, embalado num olhar doce e apaixonado repleto de ternura, amor e carinho..

no meu olhar ficou gravado aquele quadro fugaz e que só o acaso quis que eu assistisse e dele tirasse o ensinamento.. amar com o coracção e a doçura de um sorriso no rosto..

[ FOTO: Lima, Peru - Jardim do Amor (distrito de Miraflores) ]

fevereiro 07, 2008

porto côvo..

as ondas do mar num descansado e constante vai e vem, enrolam-se e afagam os grãos de areia, as rochas e as conchinhas dispersas deixando na areia atrás de si, os sinais de um longo beijo apaixonado.. na ondulação serena, alguns barcos de velas ao vento acariciam delicadamente as águas de um azul que reflecte paz, tranquilidade e doçura.. o sol com um sorriso luminoso brinda o azul do mar e aconchega o azul do céu, estendendo os seus raios em mil direcções..

no meu olhar perdido ficou suspensa aquela imagem, naquela tarde de inicio de outono, naquela praia despovoada de gente.. apenas aquela imagem e algumas gaivotas esvoaçando que sulcavam a areia por breves momentos.. e também.. os meus pensamentos mais secretos que foram levados no regresso das ondas e ficaram a balouçar na ondulação serena do mar.. sendo acarinhados pela brisa suave e fresca que lhes mostrou um doce caminho.. na direcção da imensidão do mar..

[ FOTO: Porto Côvo ]

janeiro 30, 2008

se me perguntarem também vou querer dizer.. sou feliz..

foi em plena época de estudante em coimbra que li o belíssimo livro "a insustentável leveza do ser" de milan kundera e tal como a sua outra obra, "a imortalidade", os meus olhos consumiram com uma sofreguidão quase insana as palavras escritas.. como se daquele alimento a minha alma estivesse faminta e sedenta.. mais tarde a obra passou ao cinema e embora preferisse as palavras escritas, também este me deixou extasiada e de olhos esbugalhados em frente da grande tela.. ainda hoje as palavras finais ecoam no meu pensamento.. "se me perguntarem.. posso dizer que sou feliz"..

hoje, já as palavras escritas naquelas páginas se esfumaram nos anos.. restou a sensação e impressão que aquele livro me causou.. podemos ficar despojados de tudo o que é material, mas não do que somos nem dos nossos sonhos ou da nossa vontade em querer ser feliz.. não há que ter medos ou receios de buscar a nossa felicidade em todos os momentos da nossa vida e sob todas as formas.. temos a obrigação disso.. bolas, a vida é demasiado curta!..

foi toda esta sensação e impressão que voltei a experimentar ao rever o filme que passou muito recentemente na rtp 2.. e proponho um exercício.. tenhamos a coragem de nos questionar se somos felizes, como somos felizes, o que podemos fazer para ser felizes.. não tenhamos medo de virar a vida de pernas para o ar se não gostarmos de alguma resposta e avançar num outro sentido.. não tenhamos medo se nos deparar-mos com uma porta fechada no caminho que seguimos.. olhemos com atenção e vamos encontrar uma janela, ou um postigo, ou a entrada do gato.. qualquer coisa que nos vai permitir ajustar a rota e continuar o nosso caminho.. não tenhamos receio de fazer sentir aos nossos amores e aos nossos amigos o quanto os amamos, o quanto são importantes, o quanto lhes queremos bem, o quanto os queremos sentir felizes e contribuir para a sua felicidade..

a nossa alma fica tão mais aconchegada se agirmos dessa forma.. sentimo-nos tão mais felizes.. olhemos em redor e brindemos a vida com um sorriso.. estejamos de espírito aberto e tomemos atenção aos pequenos nadas.. não tenhamos medo e sigamos em busca da nossa felicidade com tranquilidade e doçura no coração, para que também nós possamos dizer.. sou feliz.. se nos perguntarem a certa altura das nossas vidas.. bolas, a vida é demasiado precisosa e demasiado curta.. por favor, façamos um miminho a nós próprios.. façamos o
favor de ser felizes..

o meu sorriso e um bem haja a todos os calcantes que um dia me fizeram, fazem e farão sorrir..

[ FOTO: Ilha de S. Miguel, Açores - lagoa perto da lagoa da égua ]

janeiro 25, 2008

sonhos lindos.. sonhos azuis da cor do céu..

".. sonhos azuis da cor do céu" - tinham-lhe desejado.. costumava desejar sonhos lindos, deveria querer dizer mais ou menos a mesma coisa.. sim, devia ser isso.. lembrara-se daqueles votos porque olhara para o céu, este estava azul e nele estavam espalhados farrapos de nuvens brancas.. era uma visão bonita, por isso os sonhos só poderiam ser bonitos..

mas o que seria exactamente um sonho azul da cor do céu? - perguntava-se.. seria o sonho de um momento feliz?.. seria um sonho de liberdade traduzida pela imensidão do céu ou até do mar, já que este também é azul e quase tão imenso quanto o céu?.. seria um sonho de amor?.. seria o sonho de um lugar belo e talvez impossível de alcançar?.. não sabia bem responder, mas sabia que um sonho azul da cor do céu só poderia ser belo..

sabia também que os sonhos azuis da cor do céu pertenciam à realidade dos sonhos, do reino dos sonhos, à distância da imensidão do céu ou do mar e talvez nunca tivessem lugar na realidade terrena.. mas, porque sonhamos sonhos no limite da impossibilidade? - continuava a questionar-se.. era tão mais simples sonhar o concretizavel e atingível.. devia sonhar-se apenas os sonhos verdes, amarelos ou simplesmente azuis e devia ser proibido sonhar os sonhos azuis da cor do céu!..

mas, os sonhos azuis da cor do céu eram sonhos felizes e por isso gostava de os sonhar.. sabia que ao sonhá-los a felicidade despontava no seu coração e no decorrer desses momentos sentia ser feliz.. acreditava que seguindo na peugada desses sonhos, podia viver momentos felizes mesmo que nunca os alcançasse.. e quem sabe.. talvez um dia, alguns desses sonhos se escapassem da realidade fantasiosa dos sonhos e como que por magia se tornem em realidade terrena que ainda terá de viver.. é uma esperança secreta, ínfima na probabilidade de se realizar, mas que a faz querer sonhar os sonhos azuis da cor do céu.. os sonhos lindos.. os sonhos mais belos.. os sonhos felizes..
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janeiro 23, 2008

ás vezes sinto que não aguento mais..

.. e sinto-me demasiado cansada.. sinto que o meu olhar não consegue alcançar a força de um dia de sol, mesmo quando o sol brilha com toda a sua intensidade e fica preso num dia de inverno em que o dia se confunde com a noite pela sua cor escura.. ás vezes sinto-me exausta por estar sempre alerta e dormir sempre de olhos abertos.. preciso descansar.. aconchegar-me.. sentir-me protegida.. fechar os olhos num sono profundo, doce, calmo e tranquilo.. ás vezes sinto que não aguento mais..

mas como?.. não me posso dar a esse luxo.. e então, espero e desespero, nao me entendo e estilhaço.. desabo.. simplesmente caio num precipício do qual não vislumbro o fim.. e finalmente adormeço de cansaço num sono profundo onde os sonhos não existem..

e mais uma vez, ao acordar, repito o exercício de olhar para dentro de mim.. procurar e agarrar-me ao que de melhor tenho.. sugar energia à minha própria alma e às coisas vividas.. esforço-me por voltar a sorrir.. e lentamente volto a sentir a força do arco-íris e a querer sonhar.. de novo fico alerta e volto a dormir de olhos abertos.. mas.. mas não descanso.. continuo exausta..

janeiro 18, 2008

o pulsar de um coração também pode ser cinza claro e verde escuro..

por um momento observara aquele boneco verde e inexpressivo associado a um nome na janela do messenger.. havia resgatado aquele nome ao passado, depois de uma pesquisa no google.. perguntamos por alguém aos amigos e conhecidos.. mas questionar no google??..

parecia irracional, mas não interessava.. agora sabia localizar aquele nome neste país que é portugal.. sabia sentir-se mais feliz e ainda com mais vontade de sorrir, no tempo presente.. e isso sim.. é que importava..

era quase capaz de sentir o pulsar do coração por detrás daquele boneco ao sabor da variação da sua cor: ora verde escuro, ora cinza claro.. quando o boneco se tornava verde escuro sabia que lhe bastaria pressionar uma tecla e responder-lhe-ia porém, quando o via cinza claro era sinal de que não iria haver resposta.. nesses momentos surgia sempre a pergunta.. e se a cor alegre daquele boneco se perdesse no tempo?.. não queria saber dessa possibilidade e desviava a atenção..

não foi preciso mentir mas agradeço a minha boa gargalhada..

hoje registo um e-mail que recebi já há algum tempo de um aluno a propósito da realização de um trabalho.. na realidade recebi dois e-mails.. no primeiro dava-me conta de algumas dificuldades sentidas ao resolver uma componente do trabalho e solicitava a minha análise e esclarecimentos.. algum tempo depois, num segundo e-mail, dá-me conta das conclusões que tirou ao efectuar a sua própria análise às suas dúvidas (as quais não interessa agora esclarecer) e terminava assim..

".. se nada disto estiver correcto ou fizer sentido, é sinal que estou a ficar senil, provavelmente perdi a noite em vão e preciso de umas horas de sono!!!
se assim for, prefiro que me minta e me diga que a conclusão está certa!"

janeiro 13, 2008

despedida..

hoje esteve um daqueles dias tristes de inverno.. um dia cinzento, frio e chuvoso.. um daqueles dias em que não apetece comer castanhas assadas na rua..

a chuva escorria pelos vidros das janelas e deformava pontualmente a visão da rua.. pensativa, observava o carro que passava com três braços a dizer adeus.. senti humedecer o olhar, toldando ainda mais a visão da rua.. um deles tinha agradecido "os braços abertos" e pedira desculpa por "desaparecer"..

palavras bonitas escudadas numa folha de papel.. deixaram-me triste, é certo.. porém, J... a minha resposta é apenas uma.. é preciso ter coragem para tomar certas decisões.. mas também é preciso coragem para segurar os nossos medos pelos cornos.. e sim.. estarei sempre, sempre de braços abertos..

sei que essa forma de estar e pensar me faz sentir feliz e contribui para tornar a tristeza e melancolia de um adeus (seja ele de que tipo for), num alegre e sorridente até breve..

janeiro 05, 2008

cabanaconde, uma aldeia na imensidão dos andes e.. cesária évora..

estive a rever algumas fotos de uma viajem a um país maravilhoso que tive o privilégio de poder visitar no ano passado, o peru na américa do sul.. o objectivo maior dessa viajem foi conhecer o lugar místico de machu pichu, principal centro religioso de todo o império inka, mas essa viajem levou-me a outros locais, também eles belos e com segredos, ainda que diferentes..

um desses locais que visitei é cabanaconde.. uma aldeia perdida no vale do rio colca, algures nos grandes canions da imensidão dos andes.. local de voo do condor, a sua visita é por mim recomendada a qualquer par de calcantes que, tenha o gosto da aventura e o prazer em conhecer outros locais e culturas, pisando caminhos por vezes fora dos trilhos mais turísticos e servidos por hotéis, táxis ou outras mordomias confortáveis.. mas que, por vezes nos impedem de observar e conhecer a essência e as vivências de um povo..

cabanaconde é um desses locais.. para se lá chegar, é necessário fazer uma viajem de autocarro desde a cidade de arequipa com a duração de 6 horas, através da auto-estrada do altiplano e subindo aos 4800m de altitude.. a meio caminho penetra-se mais nas montanhas e apanha-se a direcção de chivay.. por fim, a última hora e meia é feita ao longo do vale do rio colca, numa estrada em terra batida, de curvas e contra-curvas.. sem dúvida, este é um daqueles sítios onde o viajante chega de mente aberta.. é suficiente uma mochila, duas mudas de roupa, um par de bastões e o espírito necessário para dormir num local simples, mas limpo e que nos aconchega a alma com a simpatia de quem nos recebe..

é assim este local de cabanaconde.. mas, como sinal dos tempos, este local remoto está no espaço cybernautico e o windows 98 instalado em pentiuns III é rei e senhor por estas paragens a par com algumas impressoras de agulhas.. algumas páginas web alojadas nestes pc's dão a conhecer ao mundo a beleza deste local.. e, naturalmente, foi assim que eu encontrei este local a partir da cidade que me hospeda, neste país que é portugal..

quando o autocarro pára na praça principal onde existe uma grande igreja, os olhos buscam o hotel, mas não há indicações.. pergunta-se então e obtém-se a reposta acompanhada de um sorriso.. chega-se ao hotel e uma única porta aberta faz-nos entrar.. lá dentro uma família almoça calmamente ao redor de uma mesa e ouvia-se sodade de cesária évora.. fui acolhida com o sorriso de uma mãe e senti o carinho no seu olhar, como que por um momento, aquela mulher fosse a minha própria mãe.. senti-me em casa, embora perdida, algures na imensidão dos andes.. talvez as minhas origens africanas tenham aflorado ao ouvir aquela música em particular, naquele lugar perdido nos andes.. atrevi-me então a perguntar, porquê cesária évora?.. aquela mãe peruana respondeu-me com o seu sorriso sincero e deixou-me saber que o ritmo, a paz e a harmonia transmitida pela música da qual não compreendia uma única palavra era a razão de tal ouvir..

efectivamente a música é uma linguagem universal, capaz de transmitir sentimentos reconhecíveis em qualquer língua das palavras sem que destas seja necessário ter conhecimento..

[ FOTO: Cabanaconde, Peru - Portas da aldeia ]
[ FOTO: Canion do rio Colca ]
[ FOTO: Igreja de Cabanaconde]