foi em plena época de estudante em coimbra que li o belíssimo livro "a insustentável leveza do ser" de milan kundera e tal como a sua outra obra, "a imortalidade", os meus olhos consumiram com uma sofreguidão quase insana as palavras escritas.. como se daquele alimento a minha alma estivesse faminta e sedenta.. mais tarde a obra passou ao cinema e embora preferisse as palavras escritas, também este me deixou extasiada e de olhos esbugalhados em frente da grande tela.. ainda hoje as palavras finais ecoam no meu pensamento.. "se me perguntarem.. posso dizer que sou feliz"..hoje, já as palavras escritas naquelas páginas se esfumaram nos anos.. restou a sensação e impressão que aquele livro me causou.. podemos ficar despojados de tudo o que é material, mas não do que somos nem dos nossos sonhos ou da nossa vontade em querer ser feliz.. não há que ter medos ou receios de buscar a nossa felicidade em todos os momentos da nossa vida e sob todas as formas.. temos a obrigação disso.. bolas, a vida é demasiado curta!..
foi toda esta sensação e impressão que voltei a experimentar ao rever o filme que passou muito recentemente na rtp 2.. e proponho um exercício.. tenhamos a coragem de nos questionar se somos felizes, como somos felizes, o que podemos fazer para ser felizes.. não tenhamos medo de virar a vida de pernas para o ar se não gostarmos de alguma resposta e avançar num outro sentido.. não tenhamos medo se nos deparar-mos com uma porta fechada no caminho que seguimos.. olhemos com atenção e vamos encontrar uma janela, ou um postigo, ou a entrada do gato.. qualquer coisa que nos vai permitir ajustar a rota e continuar o nosso caminho.. não tenhamos receio de fazer sentir aos nossos amores e aos nossos amigos o quanto os amamos, o quanto são importantes, o quanto lhes queremos bem, o quanto os queremos sentir felizes e contribuir para a sua felicidade..
a nossa alma fica tão mais aconchegada se agirmos dessa forma.. sentimo-nos tão mais felizes.. olhemos em redor e brindemos a vida com um sorriso.. estejamos de espírito aberto e tomemos atenção aos pequenos nadas.. não tenhamos medo e sigamos em busca da nossa felicidade com tranquilidade e doçura no coração, para que também nós possamos dizer.. sou feliz.. se nos perguntarem a certa altura das nossas vidas.. bolas, a vida é demasiado precisosa e demasiado curta.. por favor, façamos um miminho a nós próprios.. façamos o favor de ser felizes..
o meu sorriso e um bem haja a todos os calcantes que um dia me fizeram, fazem e farão sorrir..
[ FOTO: Ilha de S. Miguel, Açores - lagoa perto da lagoa da égua ]