janeiro 30, 2008

se me perguntarem também vou querer dizer.. sou feliz..

foi em plena época de estudante em coimbra que li o belíssimo livro "a insustentável leveza do ser" de milan kundera e tal como a sua outra obra, "a imortalidade", os meus olhos consumiram com uma sofreguidão quase insana as palavras escritas.. como se daquele alimento a minha alma estivesse faminta e sedenta.. mais tarde a obra passou ao cinema e embora preferisse as palavras escritas, também este me deixou extasiada e de olhos esbugalhados em frente da grande tela.. ainda hoje as palavras finais ecoam no meu pensamento.. "se me perguntarem.. posso dizer que sou feliz"..

hoje, já as palavras escritas naquelas páginas se esfumaram nos anos.. restou a sensação e impressão que aquele livro me causou.. podemos ficar despojados de tudo o que é material, mas não do que somos nem dos nossos sonhos ou da nossa vontade em querer ser feliz.. não há que ter medos ou receios de buscar a nossa felicidade em todos os momentos da nossa vida e sob todas as formas.. temos a obrigação disso.. bolas, a vida é demasiado curta!..

foi toda esta sensação e impressão que voltei a experimentar ao rever o filme que passou muito recentemente na rtp 2.. e proponho um exercício.. tenhamos a coragem de nos questionar se somos felizes, como somos felizes, o que podemos fazer para ser felizes.. não tenhamos medo de virar a vida de pernas para o ar se não gostarmos de alguma resposta e avançar num outro sentido.. não tenhamos medo se nos deparar-mos com uma porta fechada no caminho que seguimos.. olhemos com atenção e vamos encontrar uma janela, ou um postigo, ou a entrada do gato.. qualquer coisa que nos vai permitir ajustar a rota e continuar o nosso caminho.. não tenhamos receio de fazer sentir aos nossos amores e aos nossos amigos o quanto os amamos, o quanto são importantes, o quanto lhes queremos bem, o quanto os queremos sentir felizes e contribuir para a sua felicidade..

a nossa alma fica tão mais aconchegada se agirmos dessa forma.. sentimo-nos tão mais felizes.. olhemos em redor e brindemos a vida com um sorriso.. estejamos de espírito aberto e tomemos atenção aos pequenos nadas.. não tenhamos medo e sigamos em busca da nossa felicidade com tranquilidade e doçura no coração, para que também nós possamos dizer.. sou feliz.. se nos perguntarem a certa altura das nossas vidas.. bolas, a vida é demasiado precisosa e demasiado curta.. por favor, façamos um miminho a nós próprios.. façamos o
favor de ser felizes..

o meu sorriso e um bem haja a todos os calcantes que um dia me fizeram, fazem e farão sorrir..

[ FOTO: Ilha de S. Miguel, Açores - lagoa perto da lagoa da égua ]

janeiro 25, 2008

sonhos lindos.. sonhos azuis da cor do céu..

".. sonhos azuis da cor do céu" - tinham-lhe desejado.. costumava desejar sonhos lindos, deveria querer dizer mais ou menos a mesma coisa.. sim, devia ser isso.. lembrara-se daqueles votos porque olhara para o céu, este estava azul e nele estavam espalhados farrapos de nuvens brancas.. era uma visão bonita, por isso os sonhos só poderiam ser bonitos..

mas o que seria exactamente um sonho azul da cor do céu? - perguntava-se.. seria o sonho de um momento feliz?.. seria um sonho de liberdade traduzida pela imensidão do céu ou até do mar, já que este também é azul e quase tão imenso quanto o céu?.. seria um sonho de amor?.. seria o sonho de um lugar belo e talvez impossível de alcançar?.. não sabia bem responder, mas sabia que um sonho azul da cor do céu só poderia ser belo..

sabia também que os sonhos azuis da cor do céu pertenciam à realidade dos sonhos, do reino dos sonhos, à distância da imensidão do céu ou do mar e talvez nunca tivessem lugar na realidade terrena.. mas, porque sonhamos sonhos no limite da impossibilidade? - continuava a questionar-se.. era tão mais simples sonhar o concretizavel e atingível.. devia sonhar-se apenas os sonhos verdes, amarelos ou simplesmente azuis e devia ser proibido sonhar os sonhos azuis da cor do céu!..

mas, os sonhos azuis da cor do céu eram sonhos felizes e por isso gostava de os sonhar.. sabia que ao sonhá-los a felicidade despontava no seu coração e no decorrer desses momentos sentia ser feliz.. acreditava que seguindo na peugada desses sonhos, podia viver momentos felizes mesmo que nunca os alcançasse.. e quem sabe.. talvez um dia, alguns desses sonhos se escapassem da realidade fantasiosa dos sonhos e como que por magia se tornem em realidade terrena que ainda terá de viver.. é uma esperança secreta, ínfima na probabilidade de se realizar, mas que a faz querer sonhar os sonhos azuis da cor do céu.. os sonhos lindos.. os sonhos mais belos.. os sonhos felizes..
[ ]

janeiro 23, 2008

ás vezes sinto que não aguento mais..

.. e sinto-me demasiado cansada.. sinto que o meu olhar não consegue alcançar a força de um dia de sol, mesmo quando o sol brilha com toda a sua intensidade e fica preso num dia de inverno em que o dia se confunde com a noite pela sua cor escura.. ás vezes sinto-me exausta por estar sempre alerta e dormir sempre de olhos abertos.. preciso descansar.. aconchegar-me.. sentir-me protegida.. fechar os olhos num sono profundo, doce, calmo e tranquilo.. ás vezes sinto que não aguento mais..

mas como?.. não me posso dar a esse luxo.. e então, espero e desespero, nao me entendo e estilhaço.. desabo.. simplesmente caio num precipício do qual não vislumbro o fim.. e finalmente adormeço de cansaço num sono profundo onde os sonhos não existem..

e mais uma vez, ao acordar, repito o exercício de olhar para dentro de mim.. procurar e agarrar-me ao que de melhor tenho.. sugar energia à minha própria alma e às coisas vividas.. esforço-me por voltar a sorrir.. e lentamente volto a sentir a força do arco-íris e a querer sonhar.. de novo fico alerta e volto a dormir de olhos abertos.. mas.. mas não descanso.. continuo exausta..

janeiro 18, 2008

o pulsar de um coração também pode ser cinza claro e verde escuro..

por um momento observara aquele boneco verde e inexpressivo associado a um nome na janela do messenger.. havia resgatado aquele nome ao passado, depois de uma pesquisa no google.. perguntamos por alguém aos amigos e conhecidos.. mas questionar no google??..

parecia irracional, mas não interessava.. agora sabia localizar aquele nome neste país que é portugal.. sabia sentir-se mais feliz e ainda com mais vontade de sorrir, no tempo presente.. e isso sim.. é que importava..

era quase capaz de sentir o pulsar do coração por detrás daquele boneco ao sabor da variação da sua cor: ora verde escuro, ora cinza claro.. quando o boneco se tornava verde escuro sabia que lhe bastaria pressionar uma tecla e responder-lhe-ia porém, quando o via cinza claro era sinal de que não iria haver resposta.. nesses momentos surgia sempre a pergunta.. e se a cor alegre daquele boneco se perdesse no tempo?.. não queria saber dessa possibilidade e desviava a atenção..

não foi preciso mentir mas agradeço a minha boa gargalhada..

hoje registo um e-mail que recebi já há algum tempo de um aluno a propósito da realização de um trabalho.. na realidade recebi dois e-mails.. no primeiro dava-me conta de algumas dificuldades sentidas ao resolver uma componente do trabalho e solicitava a minha análise e esclarecimentos.. algum tempo depois, num segundo e-mail, dá-me conta das conclusões que tirou ao efectuar a sua própria análise às suas dúvidas (as quais não interessa agora esclarecer) e terminava assim..

".. se nada disto estiver correcto ou fizer sentido, é sinal que estou a ficar senil, provavelmente perdi a noite em vão e preciso de umas horas de sono!!!
se assim for, prefiro que me minta e me diga que a conclusão está certa!"

janeiro 13, 2008

despedida..

hoje esteve um daqueles dias tristes de inverno.. um dia cinzento, frio e chuvoso.. um daqueles dias em que não apetece comer castanhas assadas na rua..

a chuva escorria pelos vidros das janelas e deformava pontualmente a visão da rua.. pensativa, observava o carro que passava com três braços a dizer adeus.. senti humedecer o olhar, toldando ainda mais a visão da rua.. um deles tinha agradecido "os braços abertos" e pedira desculpa por "desaparecer"..

palavras bonitas escudadas numa folha de papel.. deixaram-me triste, é certo.. porém, J... a minha resposta é apenas uma.. é preciso ter coragem para tomar certas decisões.. mas também é preciso coragem para segurar os nossos medos pelos cornos.. e sim.. estarei sempre, sempre de braços abertos..

sei que essa forma de estar e pensar me faz sentir feliz e contribui para tornar a tristeza e melancolia de um adeus (seja ele de que tipo for), num alegre e sorridente até breve..

janeiro 05, 2008

cabanaconde, uma aldeia na imensidão dos andes e.. cesária évora..

estive a rever algumas fotos de uma viajem a um país maravilhoso que tive o privilégio de poder visitar no ano passado, o peru na américa do sul.. o objectivo maior dessa viajem foi conhecer o lugar místico de machu pichu, principal centro religioso de todo o império inka, mas essa viajem levou-me a outros locais, também eles belos e com segredos, ainda que diferentes..

um desses locais que visitei é cabanaconde.. uma aldeia perdida no vale do rio colca, algures nos grandes canions da imensidão dos andes.. local de voo do condor, a sua visita é por mim recomendada a qualquer par de calcantes que, tenha o gosto da aventura e o prazer em conhecer outros locais e culturas, pisando caminhos por vezes fora dos trilhos mais turísticos e servidos por hotéis, táxis ou outras mordomias confortáveis.. mas que, por vezes nos impedem de observar e conhecer a essência e as vivências de um povo..

cabanaconde é um desses locais.. para se lá chegar, é necessário fazer uma viajem de autocarro desde a cidade de arequipa com a duração de 6 horas, através da auto-estrada do altiplano e subindo aos 4800m de altitude.. a meio caminho penetra-se mais nas montanhas e apanha-se a direcção de chivay.. por fim, a última hora e meia é feita ao longo do vale do rio colca, numa estrada em terra batida, de curvas e contra-curvas.. sem dúvida, este é um daqueles sítios onde o viajante chega de mente aberta.. é suficiente uma mochila, duas mudas de roupa, um par de bastões e o espírito necessário para dormir num local simples, mas limpo e que nos aconchega a alma com a simpatia de quem nos recebe..

é assim este local de cabanaconde.. mas, como sinal dos tempos, este local remoto está no espaço cybernautico e o windows 98 instalado em pentiuns III é rei e senhor por estas paragens a par com algumas impressoras de agulhas.. algumas páginas web alojadas nestes pc's dão a conhecer ao mundo a beleza deste local.. e, naturalmente, foi assim que eu encontrei este local a partir da cidade que me hospeda, neste país que é portugal..

quando o autocarro pára na praça principal onde existe uma grande igreja, os olhos buscam o hotel, mas não há indicações.. pergunta-se então e obtém-se a reposta acompanhada de um sorriso.. chega-se ao hotel e uma única porta aberta faz-nos entrar.. lá dentro uma família almoça calmamente ao redor de uma mesa e ouvia-se sodade de cesária évora.. fui acolhida com o sorriso de uma mãe e senti o carinho no seu olhar, como que por um momento, aquela mulher fosse a minha própria mãe.. senti-me em casa, embora perdida, algures na imensidão dos andes.. talvez as minhas origens africanas tenham aflorado ao ouvir aquela música em particular, naquele lugar perdido nos andes.. atrevi-me então a perguntar, porquê cesária évora?.. aquela mãe peruana respondeu-me com o seu sorriso sincero e deixou-me saber que o ritmo, a paz e a harmonia transmitida pela música da qual não compreendia uma única palavra era a razão de tal ouvir..

efectivamente a música é uma linguagem universal, capaz de transmitir sentimentos reconhecíveis em qualquer língua das palavras sem que destas seja necessário ter conhecimento..

[ FOTO: Cabanaconde, Peru - Portas da aldeia ]
[ FOTO: Canion do rio Colca ]
[ FOTO: Igreja de Cabanaconde]