fevereiro 26, 2008

aquele dia..

um pôr do sol.. cores impossíveis de fixar numa imagem.. apenas as fotografias tiradas com os olhos são capazes de retratar na alma e no coração aqueles momentos.. aquelas cores.. a companhia de quem acompanha os nossos passos.. o esvoaçar das gaivotas.. as pedras do caminho.. as ondas do mar.. os grãos de areia da praia.. os barcos no porto.. as casas da vila..

aquele pôr do sol.. testemunha das palavras caladas no coração e cravadas a ferro e fogo no meu sentir.. estampadas num sorriso.. aquelas mesmas palavras que mudas foram gritadas numa dança mágica e sentidas na saudade de um beijo e de um abraço.. momentos e palavras "indizíveis", ambos embalados na musicalidade suave de uma canção, desenharam no ar cornocópias com as cores do arco-iris.. cornocópias que esvoaçam no espaço e no tempo levando consigo o libertar dos sentidos.. e a saudade..

[ FOTO: Vila da Ericeira ]

fevereiro 17, 2008

estados..

gaivotas em terra tempestade no mar.. hoje deve ter sido assim, já que da minha janela vi o voo das gaivotas.. vi também o tempo fechado na direcção do mar e ouvi a chuva a bater na janela.. hoje foi um dia triste de inverno.. e a tempestade?.. essa foi certamente no mar, já o senhor da meteorologia havia informado ontem.. o mesmo dia de ontem, em que o sol sorriu e se ouvia pela rua fora o alegre cantar dos pardais, poisados no parapeito da minha janela.. assim muda o estado do tempo, num espaço de tempo que medeia entre a noite e o dia..

mas que tal mudar da natureza não cause espanto.. também nós fazemos parte dela e também nós mudamos o nosso estado de espírito.. um dia alegres e cantantes, capazes de inventar a vida.. para, no outro dia imediatamente a seguir, deixarmos escapar as lágrimas por entre as fissuras abertas nas paredes das represas que constituem os nossos olhos.. abertas com o estilhaçar da nossa alma provocado pela força incontrolável da tristeza que atinge o coração.. assim é a vida.. capaz de nos fazer atravessar uma panóplia de sentimentos..

fevereiro 14, 2008

votos de amor..

o calendário assinala hoje um daqueles dias especiais.. um dia em que celebramos o amor.. um dia em que nos lembramos da importância de amar e sermos amados por um certo alguém.. se bem que, esse feito não deveria ter data e hora marcados.. muito antes pelo contrário..

mas, vou deixar ao cuidado deste blog uma imagem da vida real que quis o acaso eu presenciasse.. uma renovação de votos de amor.. um momento fugaz de uma rara simplicidade e cumplicidade, transbordante em sentimentos nobres cultivados na longevidade de seis décadas de uma vida em comum..

foi numa linda tarde de julho.. na janela de uma casa em traça antiga situada nas margens do rio douro, uma doce velhinha sorria.. olhava na direcção de um velhinho com quem tinha partilhado a sua juventude, a sua maturidade e partilhava agora a sua velhice.. olhava-o com ternura e com o amor de outrora, mas actual.. um arco-íris de amor.. o mesmo arco-íris que haviam pintado com o amor da juventude.. tal como nos tempos de antigamente e em troca daquele olhar da janela, aquele velhinho, seu companheiro de horas felizes e menos felizes de toda uma vida, atirou-lhe um beijo enamorado, embalado num olhar doce e apaixonado repleto de ternura, amor e carinho..

no meu olhar ficou gravado aquele quadro fugaz e que só o acaso quis que eu assistisse e dele tirasse o ensinamento.. amar com o coracção e a doçura de um sorriso no rosto..

[ FOTO: Lima, Peru - Jardim do Amor (distrito de Miraflores) ]

fevereiro 07, 2008

porto côvo..

as ondas do mar num descansado e constante vai e vem, enrolam-se e afagam os grãos de areia, as rochas e as conchinhas dispersas deixando na areia atrás de si, os sinais de um longo beijo apaixonado.. na ondulação serena, alguns barcos de velas ao vento acariciam delicadamente as águas de um azul que reflecte paz, tranquilidade e doçura.. o sol com um sorriso luminoso brinda o azul do mar e aconchega o azul do céu, estendendo os seus raios em mil direcções..

no meu olhar perdido ficou suspensa aquela imagem, naquela tarde de inicio de outono, naquela praia despovoada de gente.. apenas aquela imagem e algumas gaivotas esvoaçando que sulcavam a areia por breves momentos.. e também.. os meus pensamentos mais secretos que foram levados no regresso das ondas e ficaram a balouçar na ondulação serena do mar.. sendo acarinhados pela brisa suave e fresca que lhes mostrou um doce caminho.. na direcção da imensidão do mar..

[ FOTO: Porto Côvo ]