julho 24, 2008

na praia..

à dois ou três dias, numa ida à praia, tive a oportunidade de vivenciar uma cena que me enterneceu o coração.. do meu lugar na praia, havia reparado num casal, talvez octogenário.. ela sentada na única cadeira e ele sentado numa toalha disposta sobre a areia.. abrigados debaixo do guarda-sol descansando o corpo já cansado e sentindo o pulsar da praia.. o riso das crianças brincando.. as caminhadas dos banhistas à beira mar.. as famílias que se acomodam debaixo do guarda-sol..

eram cuidados e carinhosos os modos daquele homem para com a sua companheira, visíveis no momento de comer a pequena merenda que haviam levado.. descascando a peça de fruta e dando-lhe os pedaços já limpos.. chegando o copo de água.. era pois notório, que o passar dos anos havia tornado aquela velhinha mais debilitada que o seu dedicado companheiro.. ela deveria ter passado uma vida como senhora dona de casa cuidando do seu marido.. eram assim as mentalidades.. mas agora tinha chegado a altura daquele homem cuidar da sua querida esposa e era notório o carinho que adornava cada gesto daquele homem, como que reflectido o amor que teriam vivido ao longo dos anos..

distrai-me então na leitura do meu livro, mas a necessidade levou-me a ir buscar uma água.. no trajecto acidentado deparo-me com o casal octogenário num passo lento e amparado, tentando transpor os obstáculos do caminho.. num dado ponto.. era necessário subir uma rocha com altura de meia canela.. um obstáculo demasiado exigente para aquela senhora.. mas o caminho estava estudado.. ela teria de conseguir subir um pé.. apoiar-se na bengala o melhor que podia e ele deveria puxá-la.. deitei a mão e ajudei até chegarem a terreno regular.. depois e com um gesto de alguma destreza, aquele velhinho apoiou no ombro o guarda-sol que levantou do chão e que cuidadosamente enrolado servia de suporte à cadeira dobrada e à pequena sacola da merenda..

fiquei a olhá-los.. passos trémulos e lentos.. aquele casal com todas as suas dificuldades deveria ter tido uma vida companheira e feliz.. e agora na velhice, apesar das dificuldades, continuavam a ter-se um ao outro.. continuavam a ser felizes.. tenho a certeza que aquele velhinho, enquanto tiver forças e o sol brilhar, vai levar até á praia com todo o cuidado, a sua companheira de toda uma vida .. não pude deixar de pensar..

julho 16, 2008

um refúgio.. uma pérola do atlântico..


finalmente tinha chegado o dia em que deveria entrar num avião e rumar 1000 km a sudoeste.. parti e aterrei na belíssima ilha da madeira.. um refúgio.. um aconchego do coração e da alma.. lá estava eu, mais uma vez, nesta pérola do atlântico e mais uma vez visitei locais, provei sabores, senti os cheiros, observei vivências e imaginei-me também ilhéu..

revisitei locais do coração.. recordações antigas misturam-se com vivências de agora, interligaram-se e criaram um espaço forrado com quadros de momentos felizes pendurados em paredes invisíveis.. foi assim que me vi naquela ilha.. segura e feliz.. sentido o sol que ilumina a vida.. indo a banhos nas águas do mar onde os
sonhos balouçam ao ritmo da ondulação.. fazendo passar os meus calcantes pelas veredas delineadas pelas levadas e calcorreadas na companhia de quem conhece e partilha o trilho rumo ao tempo seguinte..

veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas do imaginário para mundos de duendes e fadas, príncipes e princesas, mundos distantes ou de outra dimensão.. veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas para os sonhos, onde nos é permitido assumir o personagem de uma história sonhada e que se quer feliz.. é impossível não sentir e respirar a ilha desta forma..








muitos outros cantos e recantos de encantar existem naquela ilha onde sonhar é possível.. são as falésias que descem até ao mar.. são as montanhas envoltas em pequenas nuvens que lhe confere um ambiente místico e de onde irradia energia positiva.. são as vilas, aldeias e cidades resplandecentes de vida.. são locais aprazíveis e apelativos ao descanso, à conversa, à leitura de um bom livro.. é a afabilidade das suas gentes, os sabores das suas comidas, os cheiros das suas plantas.. enfim.. tudo.. é um sentir e absorver de toda a ilha com intensidade e força dos nossos sentidos..







porém alguns locais são especiais.. uma casinha perto de uma vereda numa vila sossegada sobranceira ao mar.. uma vila de pescadores, onde a partir de uma rampa se pode entrar no mar.. uma cidade onde o acaso fez a vida acontecer.. cenários de histórias de outros tempos são também cenários de histórias de agora, onde personagens criam e recriam momentos guardados como doces memórias.. e que são também de saudade e felicidade.. "não vou negar", como diz a canção de maria bethania.. ouvida vezes sem conta..

[ FOTOS: Ilha de Madeira.. ]