junho 01, 2010

uma despedida é também um encontro..

[...] O que é que distingue uma despedida leal de uma cobarde? Uma despedida honesta e leal teria de consistir na tentativa de chegarmos comummente a um acordo sobre aquilo que aconteceu, contigo e comigo. Sim, porque esse é, no fundo e na verdadeira acepção da palavra, o sentido da despedida: uma autêntica despedida permite que duas pessoas, antes de seguirem cada uma o seu caminho, se entendam acerca do modo como se viram e das imagens que cultivaram uma da outra. O que entre elas resultou, e o que fallhou. Para isso é necessário uma certa ousadia: precisamos suportar a dor inerente às dissonâncias. Trata-se de aceitar tudo aquilo que se revelou impossível. Despedir-se é também algo que se faz consigo próprio: assumirmo-nos perante o olhar do outro. Pelo contrário, a cobardia de uma despedida consiste na idealização: na tentativa de mergulhar o passado numa luz dourada e de a excluir da escuridão. O que então se perde é, nem mais nem menos, do que o reconhecimento de si próprio, naquelas precisas características que geraram a escuridão.
[...]

in livro Comboio para Lisboa de Pascal Mercier, pág 306.

abril 27, 2010

uma letra fabulosa de uma bela melodia de Pedro Abrunhosa..

tenho andado meio desligado deste meu blogue.. mas não esquecida.. por hora vou partilhar apenas esta música do último album do Pedro Abrunhosa.. Longe, é mais um album com letras fabulosas.. já para não falar das melodias..

calcantes deste espaço.. apurem os vossos sentidos e saboreim com o coração..


maio 29, 2009

Viva.. simplesmente viva!

Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.

Mark Twain

abril 05, 2009

um dia cheguei a uma casa bonita..

um dia cheguei a uma casa bonita de janelas abertas, jardins floridos de esperança e sobranceira a um mar imenso dos sonhos.. bati á porta e deixaram-me entrar.. disseram para voltar todas as vezes.. mostraram-me o luar, as estrelas e o mar.. mostraram-me o sol, a paz e o sorriso da vida... havia música no ar, risos alegres e palavras... havia no ar o bem estar da vida, da esperança e do futuro..

mas um dia voltei aquela casa bonita e tudo estava diferente.. o portão sempre aberto estava agora fechado.. as janelas abertas de par em par estavam agora trancadas.. porquê?.. ninguém contou.. de dentro daquela casa, apenas se vislumbrava uma luz através de uma janela semi-serrada, mas demasiado alta.. saltei e saltei.. não repararam.. saltei e saltei de novo.. acenei..

fevereiro 14, 2009

1875, Camacha..


Á alguns anos atrás, na companhia de amigos, fui surpreendida por um monumento que existia no centro da freguesia da Camacha, em plena Ilha da Madeira e onde se podia ler a inscrição.. Aqui se jogou futebol pela primeira vez em Portugal, 1875, Camacha.. Na altura, a curiosidade levou-me a querer tirar uma fotografia que guardo com muito carinho nas minhas recordações..

Mas, recentemente, tive mais uma vez o prazer de viajar até á bela Ilha da Madeira e quis o destino que voltasse a passar pela Camacha.. Lá fui eu procurar o monumento que tão bem recordava.. e lá estava ele.. tal qual eu o vira na altura e claro, tirei uma fotografia.. mas desta vez usei uma máquina digital e como tal posso aqui partilhar..



Sobre a história que deu origem a tal homenagem pela freguesia da Camacha.. diz-se que em 1875, um jovem residente britânico na Ilha da Madeira, Harry Hinton, trouxe uma bola de Londres onde estudava na altura e na quinta de seu pai, no lugar de Achada da Camacha, reuniu alguns amigos a quem explicou as regras do então famoso jogo em Inglaterra.. o foot ball.. a partir de então a novidade espalhou-se com entusiamo por toda a ilha.. e hoje.. esta bela ilha é terra natal do melhor jogador de futebol do mundo da actualidade.. Cristiano Ronaldo..

fevereiro 03, 2009

um momento.. um sabor..


passou muito tempo desde a última vez que os meus calcantes se passearam por esta zona da blogosfera.. não voltaram para rever.. nem voltaram para deixar uma nova semente neste canteiro.. simplesmente não sentiram a vontade de vir e também não fizeram um esforço.. esconderam-se atrás da velha desculpa.. "não tenho tempo".. e nisso foram cobardes..

passou muito tempo.. passaram as festividades do natal e do ano novo e nem uma fotografia da árvore de natal, ou do fogo de artificio da passagem de ano em algum local deste belo planeta, como por exemplo a bela baía do funchal.. nada.. simplesmente nada..

passou muito tempo até que à uns dias voltei a passear os meus calcantes pela baixa da cidade de lisboa.. passeie de modo descontraído, sentindo-me turista na cidade em vivo à mais de uma década.. aliás, o local deste país que é portugal, onde vivi mais tempo seguido.. dá que pensar.. mas como dizia, passeie como turista, num passo descontraído e um olhar fascinado pelos edifícios e pelo ambiente da baixa de lisboa, visto aos olhos de uma tarde fria de inverno, corria o mês de janeiro do ano 2009..

a certa altura dou por mim a olhar uma vidraça.. parecia olhar por uma porta do tempo e regressar aos anos de 1930.. estava defronte da conserveira de lisboa uma loja antiga na cidade e que ainda labora como nos tempos de antigamente.. lá dentro as latas de conservas acomodam-se nas prateleiras de madeira, envoltas numa cartolina com motivos antigos, dobrada pelas mãos delicadas de uma senhora de avançada idade mas de movimentos ligeiros e bem conhecidos... petinga em molho picante diz uma etiqueta, petinga em molho tomate diz outra etiqueta logo ao lado, cavala fumada em azeite pode ler-se mais adiante, atum em molho de tomate.. e não sei quantos mais tipos de conservas..

dava vontade de trazer uma de cada para experimentar.. escolhi apenas algumas e pedi para fazer dois embrulhos.. o meu espanto foi ainda maior.. os embrulhos foram feitos em papel pardo e seguros com um fio de algodão.. como antigamente se fazia nas lojas e como eu tinha ainda visto na loja da aldeia da minha avó.. cercosa..

foi um momento delicioso e encantador aquele que vivi naquela loja.. acabara de a descobrir, mas pude reparar que a loja é sobejamente conhecida dos roteiros turísticos, pois foram alguns os turistas que entraram para levar como recordação umas conservas daquela loja tão antiga da cidade de lisboa.. foi um sabor para a alma aqueles minutos que ali estive.. e será também um sabor para o estômago os momentos em que saborear as conservas que dali trouxe, embrulhadas no papel pardo e seguras pelo fio de algodão.. como antigamente.. mas nos tempos de agora..

novembro 26, 2008

há certas horas..


andava eu pelo cyberespaço.. saltando de página em página.. viajando de link em link.. e encontrei este poema de william shakespear.. estas frases encantadas apenas traduzem por palavras o que todos os calcantes já sentiram um dia.. aqui o partilho ao cuidado da reflexão de todos...


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente,
a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...

Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!

novembro 10, 2008

carinhoso..


sobre o amor escreveu-se um dia.. O amor perpetua-se. Mesmo que, fisicamente, ou racionalmente, as pessoas que amamos já não estejam por perto. O amor tem esse dom, mesmo quando mergulhamos na mais profunda tristeza de sentirmos a falta de alguém [Ficcino].. eu diria que, embora as pessoas que amamos possam partir, na realidade elas ficam sempre por perto.. são as nossas doces recordações..

estas palavras foram escritas num outro contexto e o autor sabe disse.. mas o que é o amor, senão um sentimento multifacetado e que floresce em vários contextos.. porém, será sempre amor se o coração nos disser que amamos.. por isso, também estas palavras se adaptam ao contexto do amor que acontece no tempo presente.. um contexto do amor partilhado e unido na distância que o separa..

aos olhos do meu contexto, o amor do futuro ou o futuro do amor não será fácil.. os anos deixam-nos acomodados e o amor desassossega esse acomodar.. será precisa aquela coragem de querer começar de novo.. aquela vontade de querer correr novamente no parque.. aquela loucura do deitar-se tarde quando se tem uma reunião com o chefe logo pela manhã.. não será fácil.. mas poderá ser feliz..

estas palavras são apenas um mote para que outros calcantes reflictam nas belas palavras do seu autor.. mas olhadas sob o prisma da vida de cada par de calcantes.. e para acompanhar esse exercício, nada melhor doque uma musica.. aqui deixo esta sugestão.. uma música interpretada pela Marisa Monte, acompanhada á viola pelo Paulinho da Viola e de autoria do Pixinguinha e Braguinha.. carinhoso



outubro 26, 2008

bruxelas, antuérpia e bruges

Estivemos há pouco tempo em Bruxelas, a capital belga, a capital europeia.. visitamos as suas ruas, vimos os seus monumentos e a sua bela e grandiosa Grand Place.. deliciamos os olhos nas vitrinas de chocolate de todas as formas e feitios e que se acumulam em todas as suas ruas.. bebemos cerveja belga num dos seus bares famosos, o Mort Subit.. famoso por ter sido frequentado por Jaques Brell.. e dormimos num belo hotel da belle epoque e deixamo-nos viver uma história encantada só permitida a príncipes e princesas..







Por campos verdejantes a linha de comboio atravessou povoados e levou-nos de Bruxelas a Antuérpia, a capital dos diamantes.. nesta cidade a concentração de joalharias é maior do que o número de chocolaterias e nas suas montras reluz o brilho dos diamantes nas jóias expostas.. da estação central atravessamos a cidade até chegarmos ao seu porto de comercio no mar do norte, o porto de Antuérpia.. foi uma visita relâmpago, mas suficiente para apreciarmos o seu ambiente e apreciar um belo e verdadeiro choco waffel..

Foi de novo por campos verdejantes que o comboio nos levou de Bruxelas a Bruges.. uma cidade romântica, uma cidade atravessada por uma rede de canais e pontes.. uma "Veneza" do norte da europa.. uma cidade de belos monumentos e ruas encantadas, onde os sonhos podem ter ser vividos.. aqui, as chocolaterias voltam a povoar as ruas da cidade e os restaurantes servem um petisco - moules au vin blanc - que se quer acompanhado por alguma das boas cervejas belgas..







Bruges não é só conhecida pela sua densidade de canais e as atmosferas românticas dos cantos e recantos da cidade.. Bruges é também conhecida pelas suas belas rendas, concebidas de modo semelhante ao das rendas de bilros portuguesas, mas neste caso, as belas rendas que recebem o nome da sua cidade, são elaborados por rendeiras de mãos delicadas.. mas que falam o flamengo, a lingua que une os belgas.. embora uma parte fale também o francês.. e uma outra o alemão.. contudo é de toda a conveniencia não errar a escolha da lingua, o alemão ou o françês, assim, by yes by no o melhor será usar o inglês..

Foi uma viajem curta mas repleta de momentos.. daqueles que ficam gravados na memória e tatuados na pele.. daqueles que não se podem e não querem esquecer e guardamos no pote.. daqueles que se querem multiplicar porque sentimos verdadeiramente que "somos nós e o mundo"..

[ FOTOS: Bruxelas e Bruges.. ]

outubro 12, 2008

hoje..

uma despedida pode não ser fácil.. porém, algumas podem fazer doer a alma e sangrar o coração, tal como hoje.. o aperto no peito era demasiado grande e as palavras estavam presas na garganta.. não consegui ficar naquele aeroporto e fugi.. corri dali para fora..

agora.. agarro-me aos momentos felizes que guardo e lembro as músicas cantaroladas..

setembro 30, 2008

tempos difíceis..

tempos difíceis aqueles que estamos vivendo.. é impossível não o sentir ou perceber, ainda que não se queira prestar atenção.. mas a televisão, os jornais e a conversa do dia a dia estão constantemente a dar-nos pormenores destes tempos difíceis..

e.. embora por vezes isso me faça sentir mais triste, não sei porquê, não me consigo alarmar.. e deveria.. mas tal não é irresponsabilidade.. não é por não sentir que os tempos estão difíceis.. porque o sinto e é sério.. mas julgo que o segredo está em me sentir amparada na alma e no coração e nesse amparo encontro conforto.. encontro forças para cada novo dia.. encontro vontade de sorrir.. e.. isso mostra-se.. vê-se no brilho do olhar..

setembro 09, 2008

é assim.. é confuso.. é uma curva sinusóidal..

dei-me e deram-me conta de que à muito tempo não escrevia uma linha que fosse neste quadro.. não se pense que não me lembrei.. não se pense que não quis.. apenas não consegui estabilizar a sucessão de emoções imposta pelo acaso do destino que nos surpreende em cada minuto e nos faz rir ou verter uma lágrima sem planeado.. são os bons momentos intercalados com momentos menos bons a desenhar a linha da vida como se de uma curva sinusóidal se tratasse..

momentos menos bons de quem nos é querido e aos quais não ficamos indiferentes.. momentos bons passados com os amigos.. momentos bons vividos nas idas às praias e o deliciar-me com o sol maravilhoso do verão.. momentos menos bons quando o fim do verão se faz anunciar sob a forma de uma praia despovoada de gente e desprovida do barulho das crianças ou do apregoar constante das bolas de berlim.. da água.. do gelado.. até os vendedores ambulantes de trabalhos artesanais com origem no continente africano mudaram os seus pregões, promovendo também eles a época de saldos - compre um e leve dois!.. e finalmente, os ventos frescos de um fim de verão que está para breve fizeram também a sua dança de apresentação..

depois?.. depois foram os momentos bons de um novo ano escolar que se inicia e se perspectiva trabalhoso, mas logo este bom momento dá lugar ao momento menos bom em que se é atingido por "um chega para lá" e se vê ignorado todo um trabalho esforçado e dedicado de alguns anos.. e zás.. de repente o dia se fez noite.. e quando tudo parece estar escuro, eis que surge um momento bom.. uma noticia mágica que nos alegra a alma e nos deixa um sorriso rasgado no rosto..

é assim.. é confuso.. é extraordinário.. a vida é uma sucessão de acontecimentos que nos fazem sorrir e chorar, chorar e sorrir.. é confuso, mas é assim.. e é esta imprevisibilidade que nos confere um gosto e vontade de conhecer a vida que se nos apresenta a cada minuto e nos enche de vontade em correr atrás dos sonhos e das vontades com que a própria vida nos surpreende.. sempre no encalço do que julgamos nos vai fazer felizes..


[ FOTOS: Praia D.Camilo em Lagos no Algarve. Casinha em Vila Nova de Mil Fontes na Costa Vicentina.. ]

julho 24, 2008

na praia..

à dois ou três dias, numa ida à praia, tive a oportunidade de vivenciar uma cena que me enterneceu o coração.. do meu lugar na praia, havia reparado num casal, talvez octogenário.. ela sentada na única cadeira e ele sentado numa toalha disposta sobre a areia.. abrigados debaixo do guarda-sol descansando o corpo já cansado e sentindo o pulsar da praia.. o riso das crianças brincando.. as caminhadas dos banhistas à beira mar.. as famílias que se acomodam debaixo do guarda-sol..

eram cuidados e carinhosos os modos daquele homem para com a sua companheira, visíveis no momento de comer a pequena merenda que haviam levado.. descascando a peça de fruta e dando-lhe os pedaços já limpos.. chegando o copo de água.. era pois notório, que o passar dos anos havia tornado aquela velhinha mais debilitada que o seu dedicado companheiro.. ela deveria ter passado uma vida como senhora dona de casa cuidando do seu marido.. eram assim as mentalidades.. mas agora tinha chegado a altura daquele homem cuidar da sua querida esposa e era notório o carinho que adornava cada gesto daquele homem, como que reflectido o amor que teriam vivido ao longo dos anos..

distrai-me então na leitura do meu livro, mas a necessidade levou-me a ir buscar uma água.. no trajecto acidentado deparo-me com o casal octogenário num passo lento e amparado, tentando transpor os obstáculos do caminho.. num dado ponto.. era necessário subir uma rocha com altura de meia canela.. um obstáculo demasiado exigente para aquela senhora.. mas o caminho estava estudado.. ela teria de conseguir subir um pé.. apoiar-se na bengala o melhor que podia e ele deveria puxá-la.. deitei a mão e ajudei até chegarem a terreno regular.. depois e com um gesto de alguma destreza, aquele velhinho apoiou no ombro o guarda-sol que levantou do chão e que cuidadosamente enrolado servia de suporte à cadeira dobrada e à pequena sacola da merenda..

fiquei a olhá-los.. passos trémulos e lentos.. aquele casal com todas as suas dificuldades deveria ter tido uma vida companheira e feliz.. e agora na velhice, apesar das dificuldades, continuavam a ter-se um ao outro.. continuavam a ser felizes.. tenho a certeza que aquele velhinho, enquanto tiver forças e o sol brilhar, vai levar até á praia com todo o cuidado, a sua companheira de toda uma vida .. não pude deixar de pensar..

julho 16, 2008

um refúgio.. uma pérola do atlântico..


finalmente tinha chegado o dia em que deveria entrar num avião e rumar 1000 km a sudoeste.. parti e aterrei na belíssima ilha da madeira.. um refúgio.. um aconchego do coração e da alma.. lá estava eu, mais uma vez, nesta pérola do atlântico e mais uma vez visitei locais, provei sabores, senti os cheiros, observei vivências e imaginei-me também ilhéu..

revisitei locais do coração.. recordações antigas misturam-se com vivências de agora, interligaram-se e criaram um espaço forrado com quadros de momentos felizes pendurados em paredes invisíveis.. foi assim que me vi naquela ilha.. segura e feliz.. sentido o sol que ilumina a vida.. indo a banhos nas águas do mar onde os
sonhos balouçam ao ritmo da ondulação.. fazendo passar os meus calcantes pelas veredas delineadas pelas levadas e calcorreadas na companhia de quem conhece e partilha o trilho rumo ao tempo seguinte..

veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas do imaginário para mundos de duendes e fadas, príncipes e princesas, mundos distantes ou de outra dimensão.. veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas para os sonhos, onde nos é permitido assumir o personagem de uma história sonhada e que se quer feliz.. é impossível não sentir e respirar a ilha desta forma..








muitos outros cantos e recantos de encantar existem naquela ilha onde sonhar é possível.. são as falésias que descem até ao mar.. são as montanhas envoltas em pequenas nuvens que lhe confere um ambiente místico e de onde irradia energia positiva.. são as vilas, aldeias e cidades resplandecentes de vida.. são locais aprazíveis e apelativos ao descanso, à conversa, à leitura de um bom livro.. é a afabilidade das suas gentes, os sabores das suas comidas, os cheiros das suas plantas.. enfim.. tudo.. é um sentir e absorver de toda a ilha com intensidade e força dos nossos sentidos..







porém alguns locais são especiais.. uma casinha perto de uma vereda numa vila sossegada sobranceira ao mar.. uma vila de pescadores, onde a partir de uma rampa se pode entrar no mar.. uma cidade onde o acaso fez a vida acontecer.. cenários de histórias de outros tempos são também cenários de histórias de agora, onde personagens criam e recriam momentos guardados como doces memórias.. e que são também de saudade e felicidade.. "não vou negar", como diz a canção de maria bethania.. ouvida vezes sem conta..

[ FOTOS: Ilha de Madeira.. ]

junho 17, 2008

momentos..

hoje dei por mim a sonhar acordada e a aquecer-me nas minhas recordações que são como raios de sol que me abraçam e me acarinham.. o ambiente ajudou a montar este cenário de aparente transcendência.. é um carro que se conduz a caminho de casa.. uma música calma e relaxante que toca na rádio.. uma sequência de ruas que se percorrem e descrevem um caminho familiar, que nos leva de regresso ao aconchego e protecção do lar..

assim seguia absorvida no meu pensamento que saltitava cantante e alegre por uma sequência de momentos impossíveis de esquecer.. lá ia.. virando o volante à esquerda e à direita.. trocando os pés nos pedais.. semáforo após semáforo.. cruzamento após cruzamento.. lá seguia completamente alheada da realidade de conduzir e completamente absorvida nos meus pensamentos.. de tal forma que era capaz de sentir na pele a intensidade dos momentos vividos e agora recordados.. num estado de doce saudade, exibia um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos que nos denuncia..

acordei à porta de casa.. quando a porta se abriu e senti uma nuvem negra a escurecer o meu recordar.. a casa estava vazia.. o meu brilho não podia ser revelado.. porque ninguém.. simplesmente ninguém me espera.. e senti-me triste.. simplesmente perdida nesta vida onde teimosamente me tento encontrar..

junho 06, 2008

amigos..

hoje recebi um e-mail com este texto de fernando pessoa.. já havia lido a frase final num blog querido.. não resisti.. tinha de o partilhar com outros calcantes que por aqui passem.. é impossível não olhar para trás e lembrar os bons momentos vividos..

é impossível não lembrar os tempos de estudante de coimbra.. talvez os mais marcantes pela cumplicidade e intensidade com que foram vividos.. pelas marcas que deixaram para o futuro.. depois.. as condicionantes da vida fizeram-nos partir em várias direcções.. seguimos caminhos diferentes.. vontades diferentes.. porém com a teimosia suficiente de não deixar cair a ponta da fita da amizade que cada um de nós segura na mão.. a outra ponta está amarrada na velha cabra.. a torre da universidade de coimbra..

mas nem só de coimbra se fizeram as amizades.. tantos outros lugares e momentos.. tantos outros amigos.. alguns já não sabemos até onde a vida os levou.. mas é certo que não perdemos a sua memória e lembramos com saudade.. por vezes até choramos quando olhamos as suas fotografias.. e pensamos como seria bom poder saber deles.. se estão bem.. se são felizes.. dizer que estamos aqui.. incondicionalmente.. talvez.. um dia isso possa ainda acontecer..

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos,
dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas,
da angústia,
das vésperas dos finais de semana,
dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um de nós vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum desentendimento,
segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar,
quem sabe.. nas cartas que trocaremos.
Podemos falar pelo telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos..
até esse contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamos-nos perdendo no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos.. que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos,
foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar,
ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto..
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo
e, entre lágrimas abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes,
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida,
isolada do passado e perder-nos-e-mos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida passe em branco,
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigo!

maio 11, 2008

eu sei que vou te amar

aqui deixo ficar a letra de uma música.. um poema de Caetano Veloso.. recordo também um cantarolar numa certa manhã de domingo..

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar..

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

abril 22, 2008

o ar da serra..

por estes dias de chuva, em que o sol enfeitiçou as nuvens com os seus longos raios de sol e o arco-íris alegrou os céus com as suas cores.. os sonhos viajaram.. fizeram do azul dos céus uma máquina do tempo e foram uma realidade.. conduziram os seus passos até à serra que vestiu o mais belo traje para os receber..

passos que se guiaram por histórias de príncipes e princesas de tempos antigos e calcorrearam caminhos entre burgos e castelos altaneiros.. escreveram memórias.. deleitaram-se com paisagens de extensas planícies verdejantes de primavera.. ondulada por uma ou outra colina com a sua aldeia, o seu castelo, as suas gentes, as suas histórias e lendas de encantar.. assim é o marvão.. castelo de vide.. monsanto..

esses mesmos passos que não esqueceram caminhos bem conhecidos de outrora e recordaram momentos vividos.. agora renascidos no olhar encantado que doce e carinhoso beijou ao de leve as pedras do casario, daquela que é cenário de belas memórias.. a covilhã..

a serra foi destino daqueles passos.. cenário encantado das memórias de um conto de fadas.. esperava-os com o seu belo manto de um branco alvo, tocado ao de leve pelo vento gelado que alcoviteiro segredou o que deveria calar.. as árvores, as pedras e os animais viram e ouviram segredos que se haveriam de aquecer e enredar no crepitar das chamas de uma lareira.. lá para os lados da casa grande..

uma casa, uma lareira e o ondular das chamas da madeira que arde.. uma lareira capaz de enfeitiçar quem nela procure aconchego e descanse o olhar.. quem por ela deixe fluir os seus pensamentos inebriados pelo cheiro doce da lenha queimada, para que sejam embalados pela mais bela melodia do estalar da madeira ardida.. quem lhe confesse os seus segredos mais secretos e a deixe testemunhar o amor que acontece..

um amor singelo.. capaz de parar o tempo e que no seu longo abraço se fez eterno numa noite de luar, que chorando de emoção deixou as suas lágrimas soltas no sopro suave do ar da serra..








[ FOTOS: Serra da Estrela.. ]

abril 05, 2008

trilho..

pelo trilho.. um caminho estreito, apontando a direcção de um destino desconhecido que creio ser belo.. desse lugar mágico, apenas o caminho esguio por entre as árvores.. do mapa, apenas a beleza calma de uma paisagem presa num momento.. e guardada no baú da memória..

a testemunhar esse caminho.. apenas as árvores.. pesadas no seu aspecto e leves como a vida que nelas abunda.. na vida que num bater de asas brinda os céus e se faz ouvir com mensagens de esperança.. na vida que corre ligeira ou que indelével toca o chão bebericando nas gotas de água que encontra, acariciando cada pedra e cada centimetro de terra, cada réstia separada da vida e que espera o renascer.. e também, na minha vida que observam..

uma vida que por entre passos nervosos e inseguros se aventura num trilho, rumo a um lugar desconhecido mas sonhado como sendo belo.. observando e encantando-se com a beleza e pureza das flores que ladeiam o caminho.. colhendo frutos doces e mágicos, de plantas germinadas e fecundas que exalam cheiros nem sempre cheirados.. mas que inebriam e tranquilizam os meus passos.. cheiros embalados pela levesa da brisa que galanteamente me sussura ao ouvido.. segue.. segue, sorrindo e tranquila.. caminha com a doçura no coração e segue sem medos.. sem receios.. esses há muito que ficaram para trás..

[ FOTO: Trilho de passeio pedestre na ragião de Mafra ]