fevereiro 03, 2009

um momento.. um sabor..


passou muito tempo desde a última vez que os meus calcantes se passearam por esta zona da blogosfera.. não voltaram para rever.. nem voltaram para deixar uma nova semente neste canteiro.. simplesmente não sentiram a vontade de vir e também não fizeram um esforço.. esconderam-se atrás da velha desculpa.. "não tenho tempo".. e nisso foram cobardes..

passou muito tempo.. passaram as festividades do natal e do ano novo e nem uma fotografia da árvore de natal, ou do fogo de artificio da passagem de ano em algum local deste belo planeta, como por exemplo a bela baía do funchal.. nada.. simplesmente nada..

passou muito tempo até que à uns dias voltei a passear os meus calcantes pela baixa da cidade de lisboa.. passeie de modo descontraído, sentindo-me turista na cidade em vivo à mais de uma década.. aliás, o local deste país que é portugal, onde vivi mais tempo seguido.. dá que pensar.. mas como dizia, passeie como turista, num passo descontraído e um olhar fascinado pelos edifícios e pelo ambiente da baixa de lisboa, visto aos olhos de uma tarde fria de inverno, corria o mês de janeiro do ano 2009..

a certa altura dou por mim a olhar uma vidraça.. parecia olhar por uma porta do tempo e regressar aos anos de 1930.. estava defronte da conserveira de lisboa uma loja antiga na cidade e que ainda labora como nos tempos de antigamente.. lá dentro as latas de conservas acomodam-se nas prateleiras de madeira, envoltas numa cartolina com motivos antigos, dobrada pelas mãos delicadas de uma senhora de avançada idade mas de movimentos ligeiros e bem conhecidos... petinga em molho picante diz uma etiqueta, petinga em molho tomate diz outra etiqueta logo ao lado, cavala fumada em azeite pode ler-se mais adiante, atum em molho de tomate.. e não sei quantos mais tipos de conservas..

dava vontade de trazer uma de cada para experimentar.. escolhi apenas algumas e pedi para fazer dois embrulhos.. o meu espanto foi ainda maior.. os embrulhos foram feitos em papel pardo e seguros com um fio de algodão.. como antigamente se fazia nas lojas e como eu tinha ainda visto na loja da aldeia da minha avó.. cercosa..

foi um momento delicioso e encantador aquele que vivi naquela loja.. acabara de a descobrir, mas pude reparar que a loja é sobejamente conhecida dos roteiros turísticos, pois foram alguns os turistas que entraram para levar como recordação umas conservas daquela loja tão antiga da cidade de lisboa.. foi um sabor para a alma aqueles minutos que ali estive.. e será também um sabor para o estômago os momentos em que saborear as conservas que dali trouxe, embrulhadas no papel pardo e seguras pelo fio de algodão.. como antigamente.. mas nos tempos de agora..

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