setembro 30, 2008

tempos difíceis..

tempos difíceis aqueles que estamos vivendo.. é impossível não o sentir ou perceber, ainda que não se queira prestar atenção.. mas a televisão, os jornais e a conversa do dia a dia estão constantemente a dar-nos pormenores destes tempos difíceis..

e.. embora por vezes isso me faça sentir mais triste, não sei porquê, não me consigo alarmar.. e deveria.. mas tal não é irresponsabilidade.. não é por não sentir que os tempos estão difíceis.. porque o sinto e é sério.. mas julgo que o segredo está em me sentir amparada na alma e no coração e nesse amparo encontro conforto.. encontro forças para cada novo dia.. encontro vontade de sorrir.. e.. isso mostra-se.. vê-se no brilho do olhar..

setembro 09, 2008

é assim.. é confuso.. é uma curva sinusóidal..

dei-me e deram-me conta de que à muito tempo não escrevia uma linha que fosse neste quadro.. não se pense que não me lembrei.. não se pense que não quis.. apenas não consegui estabilizar a sucessão de emoções imposta pelo acaso do destino que nos surpreende em cada minuto e nos faz rir ou verter uma lágrima sem planeado.. são os bons momentos intercalados com momentos menos bons a desenhar a linha da vida como se de uma curva sinusóidal se tratasse..

momentos menos bons de quem nos é querido e aos quais não ficamos indiferentes.. momentos bons passados com os amigos.. momentos bons vividos nas idas às praias e o deliciar-me com o sol maravilhoso do verão.. momentos menos bons quando o fim do verão se faz anunciar sob a forma de uma praia despovoada de gente e desprovida do barulho das crianças ou do apregoar constante das bolas de berlim.. da água.. do gelado.. até os vendedores ambulantes de trabalhos artesanais com origem no continente africano mudaram os seus pregões, promovendo também eles a época de saldos - compre um e leve dois!.. e finalmente, os ventos frescos de um fim de verão que está para breve fizeram também a sua dança de apresentação..

depois?.. depois foram os momentos bons de um novo ano escolar que se inicia e se perspectiva trabalhoso, mas logo este bom momento dá lugar ao momento menos bom em que se é atingido por "um chega para lá" e se vê ignorado todo um trabalho esforçado e dedicado de alguns anos.. e zás.. de repente o dia se fez noite.. e quando tudo parece estar escuro, eis que surge um momento bom.. uma noticia mágica que nos alegra a alma e nos deixa um sorriso rasgado no rosto..

é assim.. é confuso.. é extraordinário.. a vida é uma sucessão de acontecimentos que nos fazem sorrir e chorar, chorar e sorrir.. é confuso, mas é assim.. e é esta imprevisibilidade que nos confere um gosto e vontade de conhecer a vida que se nos apresenta a cada minuto e nos enche de vontade em correr atrás dos sonhos e das vontades com que a própria vida nos surpreende.. sempre no encalço do que julgamos nos vai fazer felizes..


[ FOTOS: Praia D.Camilo em Lagos no Algarve. Casinha em Vila Nova de Mil Fontes na Costa Vicentina.. ]

julho 24, 2008

na praia..

à dois ou três dias, numa ida à praia, tive a oportunidade de vivenciar uma cena que me enterneceu o coração.. do meu lugar na praia, havia reparado num casal, talvez octogenário.. ela sentada na única cadeira e ele sentado numa toalha disposta sobre a areia.. abrigados debaixo do guarda-sol descansando o corpo já cansado e sentindo o pulsar da praia.. o riso das crianças brincando.. as caminhadas dos banhistas à beira mar.. as famílias que se acomodam debaixo do guarda-sol..

eram cuidados e carinhosos os modos daquele homem para com a sua companheira, visíveis no momento de comer a pequena merenda que haviam levado.. descascando a peça de fruta e dando-lhe os pedaços já limpos.. chegando o copo de água.. era pois notório, que o passar dos anos havia tornado aquela velhinha mais debilitada que o seu dedicado companheiro.. ela deveria ter passado uma vida como senhora dona de casa cuidando do seu marido.. eram assim as mentalidades.. mas agora tinha chegado a altura daquele homem cuidar da sua querida esposa e era notório o carinho que adornava cada gesto daquele homem, como que reflectido o amor que teriam vivido ao longo dos anos..

distrai-me então na leitura do meu livro, mas a necessidade levou-me a ir buscar uma água.. no trajecto acidentado deparo-me com o casal octogenário num passo lento e amparado, tentando transpor os obstáculos do caminho.. num dado ponto.. era necessário subir uma rocha com altura de meia canela.. um obstáculo demasiado exigente para aquela senhora.. mas o caminho estava estudado.. ela teria de conseguir subir um pé.. apoiar-se na bengala o melhor que podia e ele deveria puxá-la.. deitei a mão e ajudei até chegarem a terreno regular.. depois e com um gesto de alguma destreza, aquele velhinho apoiou no ombro o guarda-sol que levantou do chão e que cuidadosamente enrolado servia de suporte à cadeira dobrada e à pequena sacola da merenda..

fiquei a olhá-los.. passos trémulos e lentos.. aquele casal com todas as suas dificuldades deveria ter tido uma vida companheira e feliz.. e agora na velhice, apesar das dificuldades, continuavam a ter-se um ao outro.. continuavam a ser felizes.. tenho a certeza que aquele velhinho, enquanto tiver forças e o sol brilhar, vai levar até á praia com todo o cuidado, a sua companheira de toda uma vida .. não pude deixar de pensar..

julho 16, 2008

um refúgio.. uma pérola do atlântico..


finalmente tinha chegado o dia em que deveria entrar num avião e rumar 1000 km a sudoeste.. parti e aterrei na belíssima ilha da madeira.. um refúgio.. um aconchego do coração e da alma.. lá estava eu, mais uma vez, nesta pérola do atlântico e mais uma vez visitei locais, provei sabores, senti os cheiros, observei vivências e imaginei-me também ilhéu..

revisitei locais do coração.. recordações antigas misturam-se com vivências de agora, interligaram-se e criaram um espaço forrado com quadros de momentos felizes pendurados em paredes invisíveis.. foi assim que me vi naquela ilha.. segura e feliz.. sentido o sol que ilumina a vida.. indo a banhos nas águas do mar onde os
sonhos balouçam ao ritmo da ondulação.. fazendo passar os meus calcantes pelas veredas delineadas pelas levadas e calcorreadas na companhia de quem conhece e partilha o trilho rumo ao tempo seguinte..

veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas do imaginário para mundos de duendes e fadas, príncipes e princesas, mundos distantes ou de outra dimensão.. veredas em que, aqui e acolá se entreabrem portas para os sonhos, onde nos é permitido assumir o personagem de uma história sonhada e que se quer feliz.. é impossível não sentir e respirar a ilha desta forma..








muitos outros cantos e recantos de encantar existem naquela ilha onde sonhar é possível.. são as falésias que descem até ao mar.. são as montanhas envoltas em pequenas nuvens que lhe confere um ambiente místico e de onde irradia energia positiva.. são as vilas, aldeias e cidades resplandecentes de vida.. são locais aprazíveis e apelativos ao descanso, à conversa, à leitura de um bom livro.. é a afabilidade das suas gentes, os sabores das suas comidas, os cheiros das suas plantas.. enfim.. tudo.. é um sentir e absorver de toda a ilha com intensidade e força dos nossos sentidos..







porém alguns locais são especiais.. uma casinha perto de uma vereda numa vila sossegada sobranceira ao mar.. uma vila de pescadores, onde a partir de uma rampa se pode entrar no mar.. uma cidade onde o acaso fez a vida acontecer.. cenários de histórias de outros tempos são também cenários de histórias de agora, onde personagens criam e recriam momentos guardados como doces memórias.. e que são também de saudade e felicidade.. "não vou negar", como diz a canção de maria bethania.. ouvida vezes sem conta..

[ FOTOS: Ilha de Madeira.. ]

junho 17, 2008

momentos..

hoje dei por mim a sonhar acordada e a aquecer-me nas minhas recordações que são como raios de sol que me abraçam e me acarinham.. o ambiente ajudou a montar este cenário de aparente transcendência.. é um carro que se conduz a caminho de casa.. uma música calma e relaxante que toca na rádio.. uma sequência de ruas que se percorrem e descrevem um caminho familiar, que nos leva de regresso ao aconchego e protecção do lar..

assim seguia absorvida no meu pensamento que saltitava cantante e alegre por uma sequência de momentos impossíveis de esquecer.. lá ia.. virando o volante à esquerda e à direita.. trocando os pés nos pedais.. semáforo após semáforo.. cruzamento após cruzamento.. lá seguia completamente alheada da realidade de conduzir e completamente absorvida nos meus pensamentos.. de tal forma que era capaz de sentir na pele a intensidade dos momentos vividos e agora recordados.. num estado de doce saudade, exibia um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos que nos denuncia..

acordei à porta de casa.. quando a porta se abriu e senti uma nuvem negra a escurecer o meu recordar.. a casa estava vazia.. o meu brilho não podia ser revelado.. porque ninguém.. simplesmente ninguém me espera.. e senti-me triste.. simplesmente perdida nesta vida onde teimosamente me tento encontrar..

junho 06, 2008

amigos..

hoje recebi um e-mail com este texto de fernando pessoa.. já havia lido a frase final num blog querido.. não resisti.. tinha de o partilhar com outros calcantes que por aqui passem.. é impossível não olhar para trás e lembrar os bons momentos vividos..

é impossível não lembrar os tempos de estudante de coimbra.. talvez os mais marcantes pela cumplicidade e intensidade com que foram vividos.. pelas marcas que deixaram para o futuro.. depois.. as condicionantes da vida fizeram-nos partir em várias direcções.. seguimos caminhos diferentes.. vontades diferentes.. porém com a teimosia suficiente de não deixar cair a ponta da fita da amizade que cada um de nós segura na mão.. a outra ponta está amarrada na velha cabra.. a torre da universidade de coimbra..

mas nem só de coimbra se fizeram as amizades.. tantos outros lugares e momentos.. tantos outros amigos.. alguns já não sabemos até onde a vida os levou.. mas é certo que não perdemos a sua memória e lembramos com saudade.. por vezes até choramos quando olhamos as suas fotografias.. e pensamos como seria bom poder saber deles.. se estão bem.. se são felizes.. dizer que estamos aqui.. incondicionalmente.. talvez.. um dia isso possa ainda acontecer..

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos,
dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas,
da angústia,
das vésperas dos finais de semana,
dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um de nós vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum desentendimento,
segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar,
quem sabe.. nas cartas que trocaremos.
Podemos falar pelo telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos..
até esse contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamos-nos perdendo no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos.. que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos,
foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar,
ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto..
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo
e, entre lágrimas abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes,
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida,
isolada do passado e perder-nos-e-mos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida passe em branco,
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigo!

maio 11, 2008

eu sei que vou te amar

aqui deixo ficar a letra de uma música.. um poema de Caetano Veloso.. recordo também um cantarolar numa certa manhã de domingo..

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar..

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...