junho 17, 2008

momentos..

hoje dei por mim a sonhar acordada e a aquecer-me nas minhas recordações que são como raios de sol que me abraçam e me acarinham.. o ambiente ajudou a montar este cenário de aparente transcendência.. é um carro que se conduz a caminho de casa.. uma música calma e relaxante que toca na rádio.. uma sequência de ruas que se percorrem e descrevem um caminho familiar, que nos leva de regresso ao aconchego e protecção do lar..

assim seguia absorvida no meu pensamento que saltitava cantante e alegre por uma sequência de momentos impossíveis de esquecer.. lá ia.. virando o volante à esquerda e à direita.. trocando os pés nos pedais.. semáforo após semáforo.. cruzamento após cruzamento.. lá seguia completamente alheada da realidade de conduzir e completamente absorvida nos meus pensamentos.. de tal forma que era capaz de sentir na pele a intensidade dos momentos vividos e agora recordados.. num estado de doce saudade, exibia um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos que nos denuncia..

acordei à porta de casa.. quando a porta se abriu e senti uma nuvem negra a escurecer o meu recordar.. a casa estava vazia.. o meu brilho não podia ser revelado.. porque ninguém.. simplesmente ninguém me espera.. e senti-me triste.. simplesmente perdida nesta vida onde teimosamente me tento encontrar..

junho 06, 2008

amigos..

hoje recebi um e-mail com este texto de fernando pessoa.. já havia lido a frase final num blog querido.. não resisti.. tinha de o partilhar com outros calcantes que por aqui passem.. é impossível não olhar para trás e lembrar os bons momentos vividos..

é impossível não lembrar os tempos de estudante de coimbra.. talvez os mais marcantes pela cumplicidade e intensidade com que foram vividos.. pelas marcas que deixaram para o futuro.. depois.. as condicionantes da vida fizeram-nos partir em várias direcções.. seguimos caminhos diferentes.. vontades diferentes.. porém com a teimosia suficiente de não deixar cair a ponta da fita da amizade que cada um de nós segura na mão.. a outra ponta está amarrada na velha cabra.. a torre da universidade de coimbra..

mas nem só de coimbra se fizeram as amizades.. tantos outros lugares e momentos.. tantos outros amigos.. alguns já não sabemos até onde a vida os levou.. mas é certo que não perdemos a sua memória e lembramos com saudade.. por vezes até choramos quando olhamos as suas fotografias.. e pensamos como seria bom poder saber deles.. se estão bem.. se são felizes.. dizer que estamos aqui.. incondicionalmente.. talvez.. um dia isso possa ainda acontecer..

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos,
dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas,
da angústia,
das vésperas dos finais de semana,
dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um de nós vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum desentendimento,
segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar,
quem sabe.. nas cartas que trocaremos.
Podemos falar pelo telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos..
até esse contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamos-nos perdendo no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos.. que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
"Foram meus amigos,
foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar,
ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto..
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo
e, entre lágrimas abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes,
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida,
isolada do passado e perder-nos-e-mos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida passe em branco,
e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigo!

maio 11, 2008

eu sei que vou te amar

aqui deixo ficar a letra de uma música.. um poema de Caetano Veloso.. recordo também um cantarolar numa certa manhã de domingo..

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar..

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

abril 22, 2008

o ar da serra..

por estes dias de chuva, em que o sol enfeitiçou as nuvens com os seus longos raios de sol e o arco-íris alegrou os céus com as suas cores.. os sonhos viajaram.. fizeram do azul dos céus uma máquina do tempo e foram uma realidade.. conduziram os seus passos até à serra que vestiu o mais belo traje para os receber..

passos que se guiaram por histórias de príncipes e princesas de tempos antigos e calcorrearam caminhos entre burgos e castelos altaneiros.. escreveram memórias.. deleitaram-se com paisagens de extensas planícies verdejantes de primavera.. ondulada por uma ou outra colina com a sua aldeia, o seu castelo, as suas gentes, as suas histórias e lendas de encantar.. assim é o marvão.. castelo de vide.. monsanto..

esses mesmos passos que não esqueceram caminhos bem conhecidos de outrora e recordaram momentos vividos.. agora renascidos no olhar encantado que doce e carinhoso beijou ao de leve as pedras do casario, daquela que é cenário de belas memórias.. a covilhã..

a serra foi destino daqueles passos.. cenário encantado das memórias de um conto de fadas.. esperava-os com o seu belo manto de um branco alvo, tocado ao de leve pelo vento gelado que alcoviteiro segredou o que deveria calar.. as árvores, as pedras e os animais viram e ouviram segredos que se haveriam de aquecer e enredar no crepitar das chamas de uma lareira.. lá para os lados da casa grande..

uma casa, uma lareira e o ondular das chamas da madeira que arde.. uma lareira capaz de enfeitiçar quem nela procure aconchego e descanse o olhar.. quem por ela deixe fluir os seus pensamentos inebriados pelo cheiro doce da lenha queimada, para que sejam embalados pela mais bela melodia do estalar da madeira ardida.. quem lhe confesse os seus segredos mais secretos e a deixe testemunhar o amor que acontece..

um amor singelo.. capaz de parar o tempo e que no seu longo abraço se fez eterno numa noite de luar, que chorando de emoção deixou as suas lágrimas soltas no sopro suave do ar da serra..








[ FOTOS: Serra da Estrela.. ]

abril 05, 2008

trilho..

pelo trilho.. um caminho estreito, apontando a direcção de um destino desconhecido que creio ser belo.. desse lugar mágico, apenas o caminho esguio por entre as árvores.. do mapa, apenas a beleza calma de uma paisagem presa num momento.. e guardada no baú da memória..

a testemunhar esse caminho.. apenas as árvores.. pesadas no seu aspecto e leves como a vida que nelas abunda.. na vida que num bater de asas brinda os céus e se faz ouvir com mensagens de esperança.. na vida que corre ligeira ou que indelével toca o chão bebericando nas gotas de água que encontra, acariciando cada pedra e cada centimetro de terra, cada réstia separada da vida e que espera o renascer.. e também, na minha vida que observam..

uma vida que por entre passos nervosos e inseguros se aventura num trilho, rumo a um lugar desconhecido mas sonhado como sendo belo.. observando e encantando-se com a beleza e pureza das flores que ladeiam o caminho.. colhendo frutos doces e mágicos, de plantas germinadas e fecundas que exalam cheiros nem sempre cheirados.. mas que inebriam e tranquilizam os meus passos.. cheiros embalados pela levesa da brisa que galanteamente me sussura ao ouvido.. segue.. segue, sorrindo e tranquila.. caminha com a doçura no coração e segue sem medos.. sem receios.. esses há muito que ficaram para trás..

[ FOTO: Trilho de passeio pedestre na ragião de Mafra ]

março 26, 2008

um amor assim.. .

"prefiro ter podido.. sentir o cheiro do cabelo dela.. um beijo da boca dela.. um toque da mão dela.. do que uma eternidade sem ela.. um só.."

[ in filme city of angels ]

março 16, 2008

coimbra..

coimbra tem mais encanto na hora da despedida.. mas também na hora da chegada, da permanência e do regresso esporádico.. tem mais encanto em cada recordação guardada e relembrada, vezes e vezes sem conta.. relembradas nas pessoas que se reencontram, nas pedras do casario ou nas ruelas revisitadas e outrora calcorreadas, vezes e vezes sem conta, num vai e vem de cada estudante a caminho de casa, da universidade ou de mais uma doce e boémia vivência..

vivências de uma coimbra do passado que se entrelaçam com as vivências do presente e do futuro, tecem assim uma manta de retalhos e de cores coloridas, capaz de aquecer a alma e reconfortar as saudades sentidas em cada regresso.. para um jantar.. para um passeio.. para o escutar de um fado.. para o estar.. simplesmente estar.. saudades de coimbra que também são sentidas e partilhadas por quem nunca nela viveu..

[ FOTO: Coimbra ]