maio 11, 2008

eu sei que vou te amar

aqui deixo ficar a letra de uma música.. um poema de Caetano Veloso.. recordo também um cantarolar numa certa manhã de domingo..

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar..

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...

E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

abril 22, 2008

o ar da serra..

por estes dias de chuva, em que o sol enfeitiçou as nuvens com os seus longos raios de sol e o arco-íris alegrou os céus com as suas cores.. os sonhos viajaram.. fizeram do azul dos céus uma máquina do tempo e foram uma realidade.. conduziram os seus passos até à serra que vestiu o mais belo traje para os receber..

passos que se guiaram por histórias de príncipes e princesas de tempos antigos e calcorrearam caminhos entre burgos e castelos altaneiros.. escreveram memórias.. deleitaram-se com paisagens de extensas planícies verdejantes de primavera.. ondulada por uma ou outra colina com a sua aldeia, o seu castelo, as suas gentes, as suas histórias e lendas de encantar.. assim é o marvão.. castelo de vide.. monsanto..

esses mesmos passos que não esqueceram caminhos bem conhecidos de outrora e recordaram momentos vividos.. agora renascidos no olhar encantado que doce e carinhoso beijou ao de leve as pedras do casario, daquela que é cenário de belas memórias.. a covilhã..

a serra foi destino daqueles passos.. cenário encantado das memórias de um conto de fadas.. esperava-os com o seu belo manto de um branco alvo, tocado ao de leve pelo vento gelado que alcoviteiro segredou o que deveria calar.. as árvores, as pedras e os animais viram e ouviram segredos que se haveriam de aquecer e enredar no crepitar das chamas de uma lareira.. lá para os lados da casa grande..

uma casa, uma lareira e o ondular das chamas da madeira que arde.. uma lareira capaz de enfeitiçar quem nela procure aconchego e descanse o olhar.. quem por ela deixe fluir os seus pensamentos inebriados pelo cheiro doce da lenha queimada, para que sejam embalados pela mais bela melodia do estalar da madeira ardida.. quem lhe confesse os seus segredos mais secretos e a deixe testemunhar o amor que acontece..

um amor singelo.. capaz de parar o tempo e que no seu longo abraço se fez eterno numa noite de luar, que chorando de emoção deixou as suas lágrimas soltas no sopro suave do ar da serra..








[ FOTOS: Serra da Estrela.. ]

abril 05, 2008

trilho..

pelo trilho.. um caminho estreito, apontando a direcção de um destino desconhecido que creio ser belo.. desse lugar mágico, apenas o caminho esguio por entre as árvores.. do mapa, apenas a beleza calma de uma paisagem presa num momento.. e guardada no baú da memória..

a testemunhar esse caminho.. apenas as árvores.. pesadas no seu aspecto e leves como a vida que nelas abunda.. na vida que num bater de asas brinda os céus e se faz ouvir com mensagens de esperança.. na vida que corre ligeira ou que indelével toca o chão bebericando nas gotas de água que encontra, acariciando cada pedra e cada centimetro de terra, cada réstia separada da vida e que espera o renascer.. e também, na minha vida que observam..

uma vida que por entre passos nervosos e inseguros se aventura num trilho, rumo a um lugar desconhecido mas sonhado como sendo belo.. observando e encantando-se com a beleza e pureza das flores que ladeiam o caminho.. colhendo frutos doces e mágicos, de plantas germinadas e fecundas que exalam cheiros nem sempre cheirados.. mas que inebriam e tranquilizam os meus passos.. cheiros embalados pela levesa da brisa que galanteamente me sussura ao ouvido.. segue.. segue, sorrindo e tranquila.. caminha com a doçura no coração e segue sem medos.. sem receios.. esses há muito que ficaram para trás..

[ FOTO: Trilho de passeio pedestre na ragião de Mafra ]

março 26, 2008

um amor assim.. .

"prefiro ter podido.. sentir o cheiro do cabelo dela.. um beijo da boca dela.. um toque da mão dela.. do que uma eternidade sem ela.. um só.."

[ in filme city of angels ]

março 16, 2008

coimbra..

coimbra tem mais encanto na hora da despedida.. mas também na hora da chegada, da permanência e do regresso esporádico.. tem mais encanto em cada recordação guardada e relembrada, vezes e vezes sem conta.. relembradas nas pessoas que se reencontram, nas pedras do casario ou nas ruelas revisitadas e outrora calcorreadas, vezes e vezes sem conta, num vai e vem de cada estudante a caminho de casa, da universidade ou de mais uma doce e boémia vivência..

vivências de uma coimbra do passado que se entrelaçam com as vivências do presente e do futuro, tecem assim uma manta de retalhos e de cores coloridas, capaz de aquecer a alma e reconfortar as saudades sentidas em cada regresso.. para um jantar.. para um passeio.. para o escutar de um fado.. para o estar.. simplesmente estar.. saudades de coimbra que também são sentidas e partilhadas por quem nunca nela viveu..

[ FOTO: Coimbra ]

março 08, 2008

condição ser mulher...

oito de março de qualquer ano, o dia internacional da mulher.. não gosto deste destaque, mas entendo a necessidade da sua existência.. não gosto porque de alguma forma destaca a condição feminina da condição masculina, uma vez que não existe o dia internacional do homem.. logo não há aqui a igualdade que as mulheres tanto reclamam como justa.. porém compreendo o porquê.. é preciso e constantemente, lembrar ao mundo a condição de ser mulher.. as lutas travadas para a igualdade de direitos entre homens e mulheres.. lutas levadas a cabo no passado.. lutas travadas no presente.. lutas que não queremos no futuro..

todos os dias, na vida quotidiana, há mulheres que tem de provar que são merecedoras dos direitos já conseguidos.. os mesmos direitos que qualquer homem possui à nascença, pelo simples facto de nascer homem.. todos os dias, há mulheres que fingem que os maus tratos de que são alvo por parte dos seus companheiros são meras quedas na escada.. todos os dias, há mulheres em outras culturas, que são dadas em casamentos combinados pelos homens seus pais e subjugadas a uma vida que não escolheram para si.. todos os dias, há mulheres que são alvo das redes de tráfego de mulheres que as conduzem à vida de escravas sexuais.. todos os dias ocorre alguma violação contra a igualdade de direitos entre homens e mulheres.. contra a condição ser mulher..

por isso e muito mais que sabemos existir e ser assim, aceito ser razoável a existência de um dia internacional da mulher, não para regozijo dos sexos, mas para que se lembre que ainda existem mulheres a quem nao são reconhecidos direitos.. mulheres não respeitadas pela sua condição.. a de ser mulher..

[ FOTO: Ponta Delgada, S. Miguel, Açores - Canteiro junto às portas da cidade ]

fevereiro 26, 2008

aquele dia..

um pôr do sol.. cores impossíveis de fixar numa imagem.. apenas as fotografias tiradas com os olhos são capazes de retratar na alma e no coração aqueles momentos.. aquelas cores.. a companhia de quem acompanha os nossos passos.. o esvoaçar das gaivotas.. as pedras do caminho.. as ondas do mar.. os grãos de areia da praia.. os barcos no porto.. as casas da vila..

aquele pôr do sol.. testemunha das palavras caladas no coração e cravadas a ferro e fogo no meu sentir.. estampadas num sorriso.. aquelas mesmas palavras que mudas foram gritadas numa dança mágica e sentidas na saudade de um beijo e de um abraço.. momentos e palavras "indizíveis", ambos embalados na musicalidade suave de uma canção, desenharam no ar cornocópias com as cores do arco-iris.. cornocópias que esvoaçam no espaço e no tempo levando consigo o libertar dos sentidos.. e a saudade..

[ FOTO: Vila da Ericeira ]